As aranhas-marrons: habitat e características

As aranhas-marrons costumam ter um veneno poderoso com efeitos necróticos. Apesar disso, são pacíficas e muito discretas.
As aranhas-marrons: habitat e características

Última atualização: 06 Junho, 2021

Os aracnídeos do gênero Loxosceles são chamados de ‘aranhas-marrons’. Existem cerca de 139 espécies de Loxosceles distribuídas por todo o mundo, desde as Américas até a bacia do Mediterrâneo ou a China.

Os membros desse gênero se tornaram muito importantes, pois são as aranhas mais venenosas em vários países e costumam causar pânico. A picada desses artrópodes pode ter importância médica, especialmente no caso das espécies americanas. Contudo, não são animais agressivos.

Neste artigo, iremos nos concentrar na espécie de aranha-marrom Loxosceles rufescens, embora também façamos alguma menção às suas congêneres americanas. Continue lendo se você quiser saber mais sobre esse fascinante aracnídeo.

Habitat das aranhas-marrons

As aranhas-marrons geralmente aparecem em ambientes quentes em todo o mundo. A espécie Loxosceles rufescens tem uma distribuição nativa bastante ampla, que se estende por toda a bacia do Mar Mediterrâneo. Na Península Ibérica, é mais frequente em regiões quentes, especialmente no sul e no leste.

É importante notar que, embora a sua origem seja no Mediterrâneo, a espécie se espalhou pelo mundo graças aos humanos. Em alguns dos países que ela colonizou como espécie invasora, essa aranha chegou a ser mais abundante que as Loxosceles nativas – e causa confusões com elas.

 

Conheça as aranhas-marrons

Essas aranhas são noturnas e ficam ativas principalmente nos meses mais quentes do ano. São sedentárias e procuram abrigo sob rochas, em fendas estreitas e outros locais escuros e apertados durante o dia. À noite, elas deixam seus refúgios em busca de presas (pequenos invertebrados), que capturam sem o usar teias.

As Loxosceles espalhadas ao redor do mundo também parecem ter uma predileção por casas ou outras construções humanas. Procurando no escuro, elas se refugiam em porões, garagens, armários, atrás de móveis e quadros. Por isso, a convivência com as pessoas é bastante comum, embora geralmente elas passem despercebidas. Isso prova o caráter pacífico e discreto desses animais.

Características físicas

Esses aracnídeos são muito pequenos, pois seu corpo mede apenas entre 1 e 2 centímetros. Sua coloração varia entre marrom, pálido e avermelhado. Elas têm 4 pares de patas bastante longas e finas, que se tornam mais finas à medida que se distanciam do corpo.

Além disso, esses artrópodes possuem um pedipalpo em cada lado da cabeça. São apêndices sensoriais que se parecem com uma pata pequena. Entre eles, estão as quelíceras ou ‘presas’ típicas das aranhas. Elas também contam com 6 olhos, um par central e para a frente, e os outros pares de cada lado e localizados mais atrás.

A característica mais marcante das aranhas-marrons é uma marca escura em forma de violino no prossoma – parte do corpo de onde saem as patas. Essa coloração está localizada atrás dos olhos e pode ser claramente identificada.

As aranhas-marrons são venenosas?

Definitivamente sim: as aranhas-marrons têm uma picada bastante perigosa. Seu veneno tem efeitos necróticos e inflamatórios e costuma causar uma lesão ou úlcera na pele. Em alguns casos, essas toxinas provocam febre e outros sintomas mais graves, mas isso é pouco comum e se deve a reações alérgicas.

Contudo, e apesar de sua presença habitual em residências, as picadas dessa aranha são pouco frequentes. As aranhas-marrons são tímidas e não são agressivas, por isso, em condições normais, nunca tentam atacar humanos.

 

O veneno das aranhas-marrons

A maioria das picadas ocorre quando as pessoas se viram durante o sono sobre a aranha ou quando a aranha fica presa entre as roupas e o corpo humano. Em outras palavras, esses casos são acidentais. Além disso, a maioria das lesões provocadas pelas espécie mediterrânea (Loxosceles rufescens) são leves e cicatrizam rapidamente.

As aranhas-marrons americanas, como as espécies L. laeta e L. reclusa, representam um perigo mais considerável. A espécie mediterrânea produz casos leves de loxoscelismo cutâneo, cujos sintomas foram explicados nas linhas anteriores, mas o veneno das americanas é muito mais poderoso.

Consequentemente, as lesões produzidas pelo veneno dessas espécies tendem a ser mais graves. Podem chegar a causar úlceras maiores, podendo a 40 centímetros em casos extremos. O processo de cicatrização é mais longo e pode levar meses, embora geralmente seja bem-sucedido.

Em uma porcentagem limitada de casos, o veneno dessas espécies pode produzir loxoscelismo sistêmico. Seus sintomas são mais graves, pois incluem hemólise, danos ao sistema circulatório, sepse e possível morte.

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