O assustador peixe diabo-negro

O peixe diabo-negro é uma espécie de tamboril conhecido por sua aparência peculiar e sua forma característica de capturar presas.
O assustador peixe diabo-negro

Última atualização: 30 julho, 2022

Um dos peixes que mais atraiu a atenção desde sua descoberta foi o arrepiante peixe diabo-negro. Esta espécie, também conhecida como tamboril abissal, é um peixe com uma forma curiosa.

Características físicas do peixe diabo-negro

O peixe diabo-negro é comumente conhecido como tamboril abissal ou pelo nome científico Melanocetus johnsonii. Pertence à família Melanocetidae, presente em diferentes áreas dos trópicos.

Da mesma forma, eles fazem parte da ordem Lophiiformes, que contém representantes do tamboril. Esses peixes estão presentes no registro fóssil desde a época Eoceno, pertencentes à Era Cenozoica.

Esta espécie caracteriza-se por viver na região abissal do oceano, a profundidades de 3 mil ou 4 mil metros. Eles ficam facilmente camuflados nesta área graças à sua cor marrom escuro ou vermelho escuro.

Observa-se um acentuado dimorfismo sexual entre machos e fêmeas, o que é impressionante. Em primeiro lugar, as fêmeas têm um tamanho corporal maior que os machos.

Elas podem atingir até um metro de comprimento e cerca de 30 kg de peso. Por outro lado, o comprimento dos machos é um décimo em relação ao da fêmea, podendo chegar a cerca de 3 cm no máximo.

Esses peixes têm dois olhos pequenos que perdem proeminência diante da protuberância que brota do nariz das fêmeas. Essa saliência ou “vara de pescar” termina em uma isca cheia de bactérias bioluminescentes, com as quais chamam a atenção.

Sapo do mar ou tamboril pendurado em um gancho.

Habitat e distribuição

O peixe diabo-negro é amplamente distribuído ao longo do fundo dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. A espécie Melanocetus murrayi, uma das mais conhecidas junto com M. johnsonii, também é encontrada nestas regiões.

Estas duas espécies, M. johnsonii e Melanocetus murray, são as mais conhecidas de todo o gênero Melanocetus. Do resto das 20 espécies de tamboril que compõem o gênero, apenas entre um e seis exemplares foram encontrados.

O peixe diabo-negro é uma espécie batipelágica, o que significa que só é encontrada no fundo do oceano. Geralmente, ele é encontrado em profundidades superiores a mil metros.

Alimentação do peixe diabo-negro

Em inglês, eles são chamados de “anglerfish”, traduzido como tamboril e se refere a uma característica presente apenas nas fêmeas. O tamboril fêmea exibe uma saliência da espinha dorsal saindo de suas bocas.

Esta protuberância tem a forma de uma vara de pesca e é o que acaba por dar o nome a esta espécie. No final desta pende uma isca luminosa (bactéria bioluminescente), com a qual atrai presas.

No momento em que a presa se aproxima atraída pela luz, ela é capturada pela grande boca desse peixe. O diabo-negro tem um corpo tão flexível que pode deformá-lo e comer presas duas vezes maiores. Essa estratégia evolutiva permitiu que eles sobrevivessem em um ambiente onde a comida não é abundante. Além disso, eles possuem uma dentadura composta por dentes afiados, o que impede que a presa escape.

Assim, o diabo-negro é um peixe carnívoro que se alimenta de presas de diferentes tamanhos. Graças à sua boca grande, não tem dificuldade em ingerir presas capturadas.

Comportamento do peixe diabo-negro

Quando esta espécie foi descoberta, os cientistas encontraram apenas fêmeas de diabos-negros. Por fim, notou-se que os machos estavam acoplados às fêmeas, como parasitas.

O macho do peixe diabo-negro adotou um comportamento parasitário em relação à fêmea. No momento em que um jovem tamboril encontra uma fêmea, ele se prende a ela, fixando-se com os dentes.

Com o passar do tempo, chega um momento em que o macho se funde com a fêmea. De tal forma que integra sua pele e sistema circulatório, perdendo seus olhos e todos os seus órgãos, exceto os testículos.

Foram observadas fêmeas que podem carregar até um total de seis ou mais machos em seu corpo. Além disso, eles precisam se fundir com uma fêmea para sobreviver.

A razão para isso é que o macho do diabo-negro não tem um sistema digestivo. Sem isso, eles não podem viver de forma independente por muito tempo.

Além disso, eles têm um olfato altamente desenvolvido. Assim, são capazes seguir o rastro de feromônios deixado pela fêmea, já que podem captar cheiros muito fracos.

O peixe diabo-negro tem sido representado como um peixe tenebroso, talvez por sua aparência ou por sua maneira de enganar sua presa. No entanto, é uma espécie com uma estratégia evolutiva curiosa, tanto ao nível de captura de presas quanto na relação fêmea-macho.

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