Avistamentos de lulas gigantes no mundo

julho 31, 2019
As lulas gigantes são um dos grandes mistérios do mar. Infelizmente, estamos acostumados a encontrar apenas cadáveres ou até restos de seus corpos. Entretanto, em alguns casos, já foram encontrados exemplares vivos na superfície.

A lula gigante é um invertebrado do tipo molusco que pertence à classe dos cefalópodes. O biólogo dinamarquês Japetus Steenstrup descobriu esses seres em 1857 e deu-lhes o nome Architeuthis dux, que significa “príncipe das lulas”. Mais de 160 anos depois, as informações sobre eles continuam escassas.

O pouco que se conhece sobre esses moluscos gigantes vem de espécimes mortos que chegam às praias. No entanto, esses cadáveres, em sua maioria, já estão decompostos. Além disso, ou foram capturados por pescadores ou são apenas fragmentos localizados nos estômagos dos cachalotes.

A partir de estudos genéticos, foi descartada a existência de 12 espécies de lulas gigantes e foi possível garantir que há apenas uma: o Architeuthis dux. Esta foi a conclusão das pesquisas realizadas no Instituto de Pesquisa Marinha de Vigo.

Características da lula gigante

Seu comprimento total chega a 14 metros e seu peso varia entre 230 e 250 quilos. Vive, principalmente, nas profundezas do mar, entre 250 e 1.500 metros abaixo da superfície. Ou seja, em locais onde a pressão é muito alta e a luz do sol não chega.

A lula tem uma cabeça muito grande, enquanto seu corpo é esférico com duas barbatanas laterais. Além disso, em torno de sua boca há um total de 10 tentáculos: oito com ventosas e dois contráteis.

Os tentáculos contráteis, mais longos que os demais, são preênseis. Por isso, são usados para capturar as presas e levá-las para os tentáculos mais curtos. Uma vez que a presa é cercada, a lula gigante usa sua poderosa mandíbula na forma de um bico curvo para poder rasgá-la.

Estes são animais solitários que se alimentam de peixes, cefalópodes e até mesmo de crustáceos. Seus únicos predadores são o cachalote e seus congêneres.

Lula gigante no oceano

Os olhos da lula gigante medem entre 25 e 30 centímetros de diâmetro, sendo considerados os maiores do reino animal. Eles possuem uma retina muito sensível que serve para detectar seu maior predador, o cachalote.

O cachalote produz uma bioluminescência em torno de si mesmo por causa do plâncton acoplado a ele. Assim, a lula detecta a luminescência e pode escapar dos ataques surpresas de seus predadores.

Além disso, a lula gigante também se defende lançando um jato de tinta, que inibe os órgãos olfativos e dificulta a visão do predador.

Por que eles emergem para a superfície?

As possíveis razões pelas quais as lulas gigantescas emergem à superfície podem ser várias:

  1. Estar gravemente ferido por causa de um predador ou outra lula.
  2. Podem ter caído acidentalmente nas redes de pesca.
  3. Os processos de exploração de gás e petróleo a partir de explosões desorientam ou ferem esses moluscos gigantes. Quando sobem à superfície, eles morrem asfixiados.

Avistamentos de lulas gigantes

Geralmente, só são vistos cadáveres das lulas gigantes. Podem ser espécimes moribundos flutuando na superfície ou restos que foram encontrados dentro de cachalotes ou golfinhos. Infelizmente, é muito difícil avistar uma lula gigante viva e na superfície.

Apesar disso, em dezembro de 2015, uma lula gigante viva foi encontrada na baía de Toyama, no Japão. Este foi o avistamento mais importante nos últimos tempos, porque estava em águas rasas. As razões para sua aparição nestas condições estranhas ainda são desconhecidas.

O espécime encontrado tinha cerca de quatro metros de comprimento. Embora não tenha sido tão imenso quanto outros restos encontrados pelo mundo, já possuía um tamanho padrão dentro da espécie.

Lula gigante nadando
Fonte: www.lavanguardia.com

Além do Japão, a lula gigante costuma ser encontrada em Astúrias, na Espanha, Terra Nova, no Canadá, Namíbia, Nova Zelândia e África do Sul.

A abundância destes imensos animais na Espanha é decorrente da grande profundidade (200 a 3.000 metros) existente nos desfiladeiros submarinos de Llanes, Avilés ou Llastres, dos quais as lulas tiram proveito para se proteger de seus predadores e se alimentar.

  1. Guerra, A. & González, A.F. (2009). ¿Qué sabemos del calamar gigante?. Madrid: CSIC.
  2. Norman, M. (2000). Guía de cefalópodos del mundo. Alicante: Grupo editorial M&G difusión.