Camaleão-pantera: habitat e características

O camaleão-pantera tem um comportamento curioso para se comunicar e acasalar: a mudança de cores. Você quer conhecer mais sobre essa espécie?
Camaleão-pantera: habitat e características

Última atualização: 19 Novembro, 2021

Um dos répteis mais bonitos do mundo por suas cores e padrões é o camaleão-pantera (Furcifer pardalis), originário de Madagascar. Ele está distribuído em vários pontos da ilha e, dependendo da população, as suas cores mudam. É um réptil que pode viver mais de 5 anos em cativeiro, mas na natureza vive apenas entre 1 e 3 anos.

Em média, as fêmeas têm uma expectativa de vida mais curta, na natureza ou em cativeiro, que os machos devido ao estresse da reprodução e da oviposição. A seguir, você vai aprender mais sobre o comportamento, as características e as curiosidades dessa espécie única em seu ambiente natural.

Habitat do camaleão-pantera

O camaleão-pantera é um réptil nativo da ilha de Madagascar. Sua distribuição abrange toda a região, embora seja localmente abundante nas áreas das costas centro-leste, nordeste, norte e noroeste. Da mesma forma, essa espécie foi introduzida nas Ilhas Maurício e na Ilha da Reunião.

Esse réptil habita principalmente as florestas caducifólias secas de planície, que estão próximas às árvores que margeiam rios e estradas. O camaleão-pantera prefere habitats abertos onde não há muita sombra, pois tem a necessidade de colonizar espaços para tomar sol.

Um camaleão-pantera.

Características físicas

Fisicamente, o camaleão-pantera caracteriza-se por sua extraordinária coloração vibrante. No entanto, é importante notar o dimorfismo que essa espécie apresenta, uma vez que os machos são maiores que as fêmeas (medem 55 centímetros). Além disso, a base de sua cauda inchada indica a presença de hemipênis em machos.

Já as fêmeas se diferenciam por apresentarem uma cor verde pálida ou rosa mais uniforme, além de medir 35 centímetros. O sexo dos camaleões juvenis com menos de 6 meses é mais difícil de identificar devido à sua coloração, que é mais opaca, e por causa da ausência da protuberância hemipenial nos machos.

Dependendo da localização do réptil, a coloração e o padrão de suas cores variam. Os espécimes da Ilha Nosy Be são azul-esverdeado ou verde-esmeralda com tons de turquesa. Os machos da costa nordeste podem ser rosa brilhante, com listras brancas ou amarelas nas laterais, por isso são conhecidos como “panteras rosa”.

Da mesma forma, os camaleões-pantera machos podem ser laranja, verde-escuros ou vermelhos com manchas, listras ou faixas localizadas na cabeça e nos olhos.

Por outro lado, essa espécie não possui órgão vomeronasal, que é uma estrutura auxiliar do sentido olfatório e é encontrada em muitos animais. Esse animal também não tem ouvido externo ou médio, então pode-se dizer que os camaleões-pantera são praticamente surdos. Uma de suas características físicas mais particulares são suas patas especializadas que se assemelham a uma pinça.

Em cada pé, seus 5 dedos se fundem em grupos de 2 e 3. Nas patas dianteiras, o feixe de 3 dedos fica do lado de dentro do pé e o feixe de 2 dedos do lado de fora, sendo que o contrário ocorre nas patas traseiras. Essa configuração dá ao camaleão uma pegada forte e segura e permite que ele se mova vertical ou horizontalmente em diferentes vegetações.

Esses pés especializados permitem que os camaleões-pantera se agarrem firmemente a galhos estreitos. Da mesma forma, as garras afiadas em seus dedos os ajudam a escalar e agarrar superfícies que eles não podem alcançar com força, como troncos de árvores.

Comportamento do camaleão-pantera

Como a maioria dos camaleões, Furcifer pardalis é conhecido por ser solitário e territorial, a despeito da idade ou do sexo. Geralmente, os machos têm uma área de distribuição mais ampla do que as fêmeas, e as fêmeas costumam ser intolerantes com machos que invadem seu arbusto ou árvore de residência.

Os camaleões defendem seu território ao participar de uma exibição na qual perseguem e ferem gravemente o macho intruso. A hostilidade tende a aumentar durante a época de reprodução, porém ainda não se sabe se as fêmeas dessa espécie são intolerantes com outras em geral ou apenas nos locais de nidificação.

O território de um indivíduo dessa espécie se limita a uma determinada árvore ou arbusto, e as fêmeas possuem pequenas áreas onde são visitadas por machos errantes durante a época de reprodução. Por outro lado, esse réptil não possui bastonetes nos olhos nem pigmentos de melanina necessários para a visão noturna, por isso é considerado diurno.

Comunicação e percepção

Durante a época de reprodução, observou-se que o camaleão-pantera macho aumenta a intensidade de sua coloração para atrair uma parceira. Da mesma forma, a cor dos machos fica mais vibrante durante as batalhas físicas e o perdedor costuma desistir, apresentando tons monótono ou escuros.

Os camaleões-pantera machos e fêmeas se comunicam por meio de gestos físicos e sinais visuais. Ambos os sexos exibem uma coloração reprodutiva específica para sinalizar que estão prontos para o ato. O cortejo é iniciado pelos machos, que fazem uma exibição com movimentos da cabeça e aumentam a intensidade de sua coloração.

Quando uma fêmea exibe uma coloração receptiva, o macho inicia um comportamento de cortejo. Curiosamente, a fêmea que está prenhe (com ovos) mostra uma coloração não receptiva por vários minutos ou dias após o acasalamento. Seu estômago fica marrom-escuro a preto com listras laranja, indicando aos outros machos que já acasalou.

Durante a gravidez, as fêmeas também ameaçam os machos que se aproximam, abrindo suas bocas e se balançando para frente e para trás.

Alimentação do camaleão-pantera

Os camaleões-pantera são caçadores visuais e usam um sistema de percepção visual muito particular. Seus olhos em forma de cúpula estão localizados em cada lado da cabeça e são capazes de se mover de forma independente, o que lhes permite um arco de visão completo de 360 ​​graus. Quando um olho detecta a presa, a cabeça é virada para que ambos os olhos focalizem.

Esses répteis são caçadores oportunistas porque esperam que a presa chegue ao alcance de suas longas línguas. São carnívoros que se alimentam principalmente de invertebrados terrestres — e raramente de plantas — capturando-os com grande velocidade e sucção com a língua que possui cartilagem, músculos e nervos especiais para essa tarefa.

Reprodução do camaleão-pantera

Como mencionado acima, a reprodução do camaleão-pantera começa graças ao cortejo do macho, que avança lentamente com um passo hesitante ou muito rápido e agressivamente em direção às fêmeas. Se a fêmea parecer interessada, o macho a montará agarrando-a pelos flancos e posicionando-se do lado direito ou esquerdo de seu corpo.

A cópula ocorre quando o macho vira o mais próximo de seus dois hemipênis e o insere na cloaca da fêmea. Alguns indivíduos copulam por alguns minutos e outros por várias horas, depois seguem caminhos diferentes. No entanto, os machos às vezes permanecem no território da fêmea para defendê-la de outros machos.

Na maioria dos territórios frequentados pelo camaleão-pantera, a reprodução ocorre entre janeiro e maio. A gestação dura entre 3 e 6 semanas, durante as quais as fêmeas cavam tocas com as patas dianteiras para depositar de 10 a 46 ovos. Mais tarde, elas enterram os ovos e algumas fêmeas arrastam folhas ou galhos pelo local.

Os filhotes de camaleão-pantera pesam 0,25 e 0,75 gramas ao nascer e atingem a maturidade reprodutiva aos 6 meses de idade.

Esse é o ato final da maternidade para um camaleão-pantera, já que seus filhotes serão independentes ao nascer. A prole emerge da toca cortando uma abertura em forma de estrela no final da casca do ovo com o dente de ovo, uma saliência pontiaguda localizada na ponta da mandíbula superior que logo cai.

Estado de conservação

Apesar de ser um animal comum como animal de estimação e ser muito atraente por suas cores, o status de conservação do camaleão-pantera é de “Pouco Preocupante (LC)” de acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN por sua sigla em inglês). Isso significa que atualmente sua redução populacional não é significativa.

Um dos animais de Madagascar.

Como você pode ver, o camaleão-pantera é um réptil cheio de cor e com comportamentos muito peculiares. Graças às regulamentações internacionais, o risco de extinção dessa espécie é remoto, mas deve-se levar em consideração a possível perda e modificação de seu habitat natural em Madagascar. É preciso proteger a todo custo essa joia da biodiversidade.

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