Codorniz-da-china: características e cuidados

A codorniz-da-china costuma ter um comportamento social particular, uma vez que os espécimes podem oferecer presentes entre si, como forma de interação amigável.
Codorniz-da-china: características e cuidados

Última atualização: 09 Setembro, 2021

Graças ao seu comportamento calmo e à sua natureza delicada, a codorniz-da-china é uma das melhores aves para se ter como animal de estimação. Na verdade, na Ásia é bastante comum encontrá-la em fazendas. Apesar de seu tamanho, o que conquistou o coração de muitas pessoas foram suas cores marcantes e sua aparência terna, por isso sua criação se espalhou para outros países.

Essa espécie faz parte da família dos faisões, grupo reconhecido por animais como os pavões, os perdizes e os faisões. Neste espaço, vamos descrever Excalfactoria chinensis (sinônimo de Coturnix chinensis), um dos menores galiformes conhecidos. Continue lendo para aprender mais sobre esse pequeno animal.

Habitat natural e distribuição

As codornizes-da-china são nativas do Leste Asiático, embora tenham se espalhado por todo o continente indo-asiático devido à criação de aves. Além do mais, existem alguns organismos que são nativos da Austrália e outros que foram introduzidos em diferentes ilhas.

Seu habitat natural é formado por áreas com alta umidade e pastagens, razão pela qual em algumas regiões da Índia os espécimes podem ser vistos perto das plantações de arroz. Embora prefiram solos baixos, também foram encontrados a alturas de mais de 1220 metros acima do nível do mar. No entanto, seus ninhos ficam ao nível do solo, perto de áreas inundadas, como marismas ou zonas úmidas.

Características da codorniz-da-china

Os tamanhos dessa codorniz variam de 12,5 a 14 centímetros de comprimento, com pesos de até 40 gramas, sendo considerada uma das menores espécies de galiformes. Pelo mesmo motivo, suas asas têm apenas 7 centímetros de comprimento, e os espécimes possuem uma pequena cauda de 2,5 centímetros.

A cor natural da espécie é castanho-escuro com peito azul-acinzentado e ventre castanho-avermelhado. Isso só se aplica aos exemplares machos, pois, como em outras aves, as fêmeas são menos coloridas, exibindo apenas uma plumagem marrom, homogênea em todo o corpo. Além disso, ambos possuem bico preto, patas curtas em tons de amarelo ou laranja e caudas mais escuras que o corpo.

Em cativeiro, essas aves podem apresentar uma grande variedade de cores, devido à seleção por parte dos avicultores. Dentre eles, os morfotipos mais comuns e marcantes são os brancos ou prateados, os com diferentes gradientes de tons café e os com manchas prateadas ou cinzentas por todo o corpo.

Subespécie da codorniz-da-china

Uma subespécie não é apenas definida pela mudança na cor da plumagem, pois há outros critérios que precisam ser revistos. No caso dessa codorniz, suas subespécies diferem principalmente por sua distribuição, que são as seguintes:

  • Coturnix chinensis chinensis: Malásia, China, Índia, Taiwan e Sri Lanka.
  • Coturnix chinensis colleti: Austrália (norte).
  • Coturnix chinensis lepida: arquipélago de Bismarck.
  • Coturnix chinensis lineata: Bornéu, Celebes, Filipinas e Ilhas Sula.
  • Coturnix chinensis novaeguineae: Nova Guiné (montanhas).
  • Coturnix chinensis palmeri: Sumatra e Java.
  • Coturnix chinensis papuensis: Nova Guiné (sudeste).
  • Coturnix chinensis trinkutensis: Ilhas Andaman e Nicobar.
  • Coturnix chinensis victoriae: Austrália (leste).

Cuidados da espécie

Para cuidados em cativeiro, deve-se levar em consideração que essa ave é terrestre. Portanto, ela precisará de um amplo espaço para caminhar. Locais com gramíneas abundantes são altamente recomendados, pois mantêm um habitat semelhante ao natural.

Apesar de sua semelhança, as codornizes-da-china não podem viver nas mesmas construções de madeira que são usadas para galinhas.

Embora possam ser mantidas em grupo, a recomendação é que essas codornizes sejam criadas aos pares, pois tanto a fêmea quanto o macho podem competir entre si. Na verdade, essas aves são bastante independentes, já que podem fazer tudo sozinhas: basta verificar se elas têm comida e água suficientes para garantir sua sobrevivência.

Uma vez que os espécimes tiverem se adaptado ao seu novo lar, a manutenção é fácil, pois são um dos galiformes mais “limpos” e calmos que existem. No entanto, se o objetivo for manter a produção de ovos, um acompanhamento de sua dieta deve ser considerado para que a fêmea seja capaz de lidar com a situação.

Alimentação de codorniz-da-china

A dieta dessa ave é composta por uma grande variedade de sementes, sendo as mais comuns o milheto, o níger e a colza. Além disso, ela também pode comer vegetação fresca e alguns insetos ou pequenos vermes, sempre em quantidades mínimas. Quando mantidas em cativeiro, as fêmeas geralmente requerem um suplemento adicional de cálcio, como pó de ostra (também chamado de “farinha”).

Reprodução da codorniz-da-china

Esses organismos são ovíparos monogâmicos e, após a fecundação, a fêmea procura o lugar perfeito para cavar seu ninho e colocar seus ovos. Para cada ninhada, a nova mãe terá entre 6 e 14 ovos, que são bem pequenos e de cor verde-escura.

Durante a incubação, a fêmea tem dificuldade de manter seus ovos aquecidos devido ao seu tamanho. Essa tarefa pode ser subsidiada informalmente, fornecendo buracos ou locais cobertos dentro de seu habitat. Apesar disso, será necessário esperar 16 ou 19 dias até que os ovos eclodam e os pintinhos nasçam.

Os novos filhotes são pequenos e precoces, pois quando saem já são capazes de ver, ouvir, andar e se desenvolver bem no ambiente. Na verdade, eles levam apenas algumas semanas para começarem a cantar e depois de um mês já são capazes de se reproduzir. As cores da plumagem dos pintinhos geralmente são marrom ou amarela, mudando conforme eles amadurecem.

A codorniz-da-china é partenogenética?

O fenômeno da partenogênese costuma ser relativamente comum na indústria avícola. Na verdade, em alguns tipos de peru, 49% dos ovos podem ser chocados sem a necessidade de fertilização. Quanto a essa codorniz, de acordo com um estudo da Universidade do Mississippi, 27% das fêmeas produzem pelo menos 1 ovo partenogenético.

Essa habilidade pode funcionar como uma faca de dois gumes para a espécie, facilitando a manutenção da população, mas podendo levar à depressão genética. Além disso, o Departamento de Ciências Avícolas da mesma universidade observou um aumento no número de eventos partenogenéticos.

Do ponto de vista deles, essa situação significa algo negativo para a produção e a manutenção da codorniz.

É verdade que essa ave pode ser uma boa escolha de animal de estimação, porém é necessário priorizar as condições de seu habitat antes de levá-la para casa. Lembre-se de que esses seres vivos vão depender de você para sobreviver e são uma responsabilidade que nem todos podem assumir. Mesmo assim, todo o trabalho e o esforço valem a pena quando você pode ter por perto animais tão bonitos como essa codorniz.

Pode interessar a você...
Faisão: características, comportamento e habitat
Meus AnimaisLeia em Meus Animais
Faisão: características, comportamento e habitat

O faisão é uma ave extravagante de origem asiática cujo nome científico é Phasianus Colchicu. Caracteriza-se por suas cores pitorescas.



  • Chandra, K., & Singh, R. K. (2004). Avifauna of Madhya Pradesh and Chhattisgarh. Zoos’ Print Journal19(7), 1534-1539.
  • Kageyama, M., Takenouchi, A., Kinoshita, K., Nakamura, Y., & Tsudzuki, M. (2018). The “extended brown” plumage color mutant of blue-breasted quail (Coturnix chinensis) is associated with a mutation in the Melanocortin 1-Receptor gene (MC1R). The journal of poultry science, 0180006.
  • Parker, H. M., & McDaniel, C. D. (2009). Parthenogenesis in unfertilized eggs of Coturnix chinensis, the Chinese painted quail, and the effect of egg clutch position on embryonic development. Poultry science88(4), 784-790.
  • Wells, J. B., Parker, H. M., Kiess, A. S., & McDaniel, C. D. (2012). The relationship of incubational egg weight loss with parthenogenesis in Chinese Painted quail (Coturnix chinensis). Poultry science91(1), 189-196.
  • Tsudzuki, M. (1995). Brown: a plumage color mutation in Chinese painted quail (Excalfactoria chinensis). The Journal of heredity86(4), 307-309.
  • O’Brien, M. B. (2006). Distribution, habitat and status of the King Quail Coturnix chinensis victoriae in Victoria: The importance of French Island, Western Port Bay. Australian Field Ornithology23(2), 62-76.
  • Askew, G. N., & Marsh, R. L. (2001). The mechanical power output of the pectoralis muscle of blue-breasted quail (Coturnix chinensis): the in vivo length cycle and its implications for muscle performance. Journal of Experimental Biology204(21), 3587-3600.
  • Noé, O. V. (1997). Manual de manejo para la cría y explotación de la codorniz (coturnicultura).
  • Adkins-Regan, E. (2016). Pairing Behavior of the Monogamous King Quail, Coturnix chinensis. Plos One11(6), e0155877.