Comércio global de animais de estimação exóticos ameaça papagaios selvagens

· abril 13, 2019
O comércio mundial de animais de estimação exóticos ameaça os papagaios selvagens, que correm risco de extinção por meio da propagação de um vírus.

Um novo estudo relata o perigo que os papagaios selvagens correm devido ao comércio global de animais exóticos, principalmente no caso de espécies de papagaios ameaçadas de extinção. Este perigo é devido à detecção, em oito novos países, de um vírus conhecido como doença do bico e da pena em papagaios selvagens.

Considerando que muitas espécies de papagaios correm risco de extinção, esses novos dados aumentam a preocupação, principalmente para as espécies ameaçadas. Isso destaca a necessidade de uma maior conscientização sobre os riscos da propagação de doenças infecciosas associadas ao comércio internacional de papagaios vivos.

Os novos países onde foi encontrada a doença do bico e da pena são Bangladesh, Paquistão, Japão, Nigéria, Seychelles, Vietnã, Senegal e Gâmbia. A presença da doença foi identificada graças a um estudo realizado pelo Instituto Durrell de Conservação e Ecologia da Universidade de Kent, em colaboração com outras entidades internacionais.

Papagaios selvagens ameaçados pelo comércio de animais exóticos

Os papagaios estão entre os grupos mais ameaçados de aves e são suscetíveis a várias doenças infecciosas. Eles também estão entre as aves mais comercializadas pela Convenção de Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES). O comércio ilegal já impulsionou o movimento transfronteiriço de quase 20 milhões de papagaios desde 1975.

Esse movimento ajudou a estabelecer diversas populações de papagaios fora de suas áreas de distribuição nativas, em particular o periquito-de-colar. O periquito-de-colar é uma espécie altamente invasiva que atualmente tem populações reprodutoras em mais de 35 países nos cinco continentes.

Papagaios ameaçados pelo comércio de animais exóticos

A primeira detecção da doença do bico e da pena em papagaios silvestres nativos do Sul, Sudeste da Ásia e Oeste da África realizada neste estudo destaca a necessidade de mais pesquisas nessas regiões, e pode ter implicações para a conservação das espécies vulneráveis que também habitam estas áreas.

Este estudo indica que existem relações muito próximas entre as sequências genéticas de populações selvagens em regiões globalmente distintas, e que houve múltiplos eventos de introdução na África Ocidental.

A doença do bico e da pena

A doença do bico e da pena dos psitacídeos (PBFD), causada pelo vírus da doença do bico e da pena (BFDV), é uma doença infecciosa comumente encontrada em papagaios criados em cativeiro.

Acredita-se que a doença do bico e da pena em papagaios silvestres tenha se originado na Australásia. Essa doença é uma causa bem conhecida de enfermidades infecciosas em papagaios que vivem em cativeiro.

As aves afetadas podem desenvolver anomalias nas penas, deformações nas garras e no bico, e a doença pode levar a uma eventual morte, particularmente na população mais jovem.

Todos os psitaciformes são suscetíveis à infecção. A natureza imunossupressora do BFDV aumenta a suscetibilidade do hospedeiro à infecção secundária.

A propagação do BFDV pode ser causada pelo comércio internacional de psitacídeos vivos e outros animais de estimação exóticos, e pela sua alta persistência ambiental e transmissibilidade entre espécies hospedeiras intimamente relacionadas.

Os crescentes relatórios a respeito de infecções por BFDV em populações selvagens, tanto nativas como introduzidas, incluindo várias populações de espécies ameaçadas, levantaram preocupações sobre as implicações de conservação da propagação da infecção.

A doença do bico e da pena

Segundo os pesquisadores, o sucesso no estabelecimento de espécies invasoras pode ser devastador para populações de pequenas ilhas ou espécies ameaçadas.

Isso não ocorreria apenas através da competição por recursos, mas também expondo-os a um vírus como o PBFD, o que pode representar uma ameaça adicional significativa para espécies que já estão sofrendo as pressões de baixa diversidade genética e perda do seu habitat.

Sugestões para proteger os papagaios selvagens

Os autores do estudo sugerem que as decisões relacionadas à movimentação e transporte dos papagaios devem incluir uma análise do risco de doença em que se calcule a probabilidade de exposição ou infecção prévia e o risco potencial que isso representa às populações silvestres.

De acordo com os autores do estudo, é particularmente importante que estes riscos para a biossegurança sejam considerados em regiões de alta importância para a conservação, tanto para papagaios ameaçados como para outras espécies de aves em risco de infecção.

Além disso, eles recomendam que se preste atenção ao exame sistemático de papagaios no comércio de animais de estimação exóticos.

Da mesma forma, profissionais da conservação, criadores de papagaios, agentes de aplicação da lei, e outros relacionados aos papagaios ameaçados devem se lembrar de sua responsabilidade e da importância de intensificar os esforços para toda as populações de papagaios selvagens ou em cativeiro em todo o mundo.

  • Fogell, D., Martin, R., Bunbury, N., Lawson, B., Sells, J., y McKeand, A. et al. (2018). Trade and conservation implications of new beak and feather disease virus detection in native and introduced parrots. Conservation Biology. doi: 10.1111/cobi.13214