O comportamento das cacatuas

O comportamento das cacatuas varia entre as espécies e até entre os indivíduos, por isso é importante conhecer suas bases antes de lidar com um exemplar.
O comportamento das cacatuas

Última atualização: 25 Julho, 2021

O complexo comportamento das cacatuas tem sido objeto de interesse científico, visto que são aves que se caracterizam por sua incrível inteligência. Nas residências, sua aparência exótica e a riqueza que agregam à vida diária são aspectos valorizados.

Se você quiser conhecê-las um pouco melhor, aqui estão as informações básicas sobre o comportamento mais habitual das cacatuas. Caso em algum momento você tenha a sorte de lidar com uma cacatua, é importante saber socializar com ela e respeitar seu espaço.

Características das cacatuas

As cacatuas (família Cacatuidae) são aves de médio a grande porte, entre 30 e 60 centímetros de comprimento. Existem cerca de 21 espécies e numerosas subespécies dentro desse grupo de aves, embora a mais comum seja a cacatua-de-crista-amarela (Cacatua sulphurea).

Essas aves se distinguem dps demais psitacídeos pelas penas eréteis em suas cabeças, que formam uma crista muito impressionante. Outro diferencial é a longevidade, já que algumas espécies chegam aos 70 anos de vida.

Todas as cacatuas possuem bico grande e curvo e são animais tetradáctilos, ou seja, possuem 4 dedos, 2 deles voltados para trás e 2 voltados para a frente. Dessa forma, podem andar nos galhos e também no chão.

Ao contrário de outras aves, as cacatuas podem mover a parte superior do bico. Isso proporciona maior eficiência à sua alimentação.

As cores das suas penas são geralmente um pouco mais opacas do que outras espécies de psitacídeos, movendo-se no espectro de branco, cinza e preto. Às vezes, podem ser vistos toques de cores vivas em algumas espécies, geralmente na crista ou na face.

As cacatuas estão acostumadas a viver em áreas arborizadas com copas frondosas em grande parte da Ásia e Austrália. Elas não constroem ninhos nos galhos, mas preparam os ocos das árvores para dar à luz seus descendentes. Os jovens são nidícolas e recebem cuidados parentais de ambos os progenitores igualmente.

As cacatuas, embora herbívoras, têm uma dieta muito variada composta por sementes, bagas, frutas e vegetais. Costumam descer ao solo em busca de sementes, que são os alimentos que mais contêm gordura, mas na presença de predadores podem se alimentar perfeitamente dos frutos das árvores.

 

Um par de cacatuas brancas.

Caráter das cacatuas

O comportamento das cacatuas é profundamente gregário, pois o número de exemplares que compõem um bando pode ultrapassar uma centena. São aves monogâmicas que criam laços estáveis e sólidos com seus parceiros, podendo durar por toda a vida.

Dentro dos grupos, uma hierarquia é estabelecida entre os exemplares. As cacatuas que têm posição mais elevada repousam nos galhos mais altos, e mais distantes dos predadores, e têm preferência na hora de comer os alimentos mais suculentos.

Embora sejam afetuosas e próximas, não se deve esquecer que as cacatuas adotaram o papel de presas nos ecossistemas. Portanto, essas aves tendem a ser ariscas e desconfiadas por natureza.

A comunicação das cacatua

As cacatuas são conhecidas por serem barulhentas, já que muitas vezes a comunicação em multidões requer gritos. Essas aves emitem sons altos e estridentes com uma infinidade de propósitos: para se reconhecerem, para mostrar seu estado de espírito e como um aviso, entre outros.

Sua grande inteligência e sociabilidade as tornam capazes de compreender e exibir comportamentos complexos, combinando linguagem corporal e vocalizações. A seguir, você encontrará os fundamentos básicos de cada aspecto.

Linguagem corporal no comportamento das cacatuas

A linguagem corporal é extremamente importante no comportamento das cacatuas. Sua fonação permite exibir uma infinidade de detalhes e combinações com as vocalizações, a ponto de cada indivíduo ter seu estilo de acordo com sua personalidade. Os gestos mais básicos das cacatuas são os seguintes:

  • Balançar a cauda: balançar de um lado para o outro geralmente significa que a ave está feliz.
  • Aproximação com a cabeça levantada: mostra interesse no outro espécime e que a ave está feliz em vê-lo.
  • Pupilas dilatadas: geralmente é um sinal de excitação geral, mas tende mais à raiva e pode preceder um ataque.
  • Penas eriçadas: pode ocorrer quando as cacatuas estão calmas, mas também quando ficam com muita raiva. Neste último caso, observa-se perseguição, o que faz abaixar a cabeça ou as pupilas do animal ficarem dilatadas.
  • Agitar as asas: pode ocorrer para esticar ou sacudir as asas. No entanto, se forem esticadas amplamente e movidas para cima e para baixo, é um sinal de que o animal está chateado.
  • Bater nas superfícies com o bico: é observado principalmente nos machos, uma vez que esse comportamento das cacatuas faz parte dos chamados de atenção para as fêmeas na época reprodutiva.
  • Pular: quando uma cacatua pula na frente da outra também é um chamado de atenção, mas mais intenso do que bater em alguma coisa com o bico.
  • Balançar a cabeça: também é uma forma de atrair a atenção de um congênere, especificamente o seu olhar.
  • Levantar a crista: geralmente indica excitação, seja de alegria ou irritação. Se fizer isso de propósito, trata-se de cortejo ou comportamento territorial.
  • Formar um leque com a cauda: também faz parte do cortejo e da defesa do território.
  • Descansar com as patas flexionadas: essa postura, como se a ave estivesse “sentada”, indica dor ou doença. Em cativeiro, o fato de uma ave ficar nessa posição ou permanecer no fundo da gaiola é motivo de urgência veterinária.
  • Pendurar-se de cabeça para baixo no poleiro: é uma forma de assustar outro indivíduo que deseja subir em seu lugar de descanso.

Linguagem verbal

As vocalizações também são relevantes no comportamento da cacatua. Além disso, elas interagem ou modificam a mensagem não verbal que mostram com suas posturas e movimentos. Os sons mais característicos que emitem são os seguintes:

  • Cantos, assobios ou pios melódicos: quando são tranquilos e em volume baixo, costumam ser um sinal de que a cacatua está confortável com as companheiras ao seu redor.
  • Silvos: som de aviso que antecede um ataque.
  • Gritos altos: isolados e na ausência de outros sinais, costuma ser uma sondagem para os colegas responderem, verificando se todos estão bem. Se forem contínuos, podem ser um sinal de ansiedade, dor ou doença.

O comportamento das cacatuas durante o dia

As cacatuas têm hábitos diurnos. Normalmente, não são as primeiros a sair de seus poleiros, preferindo esperar o sol para aquecer os locais onde se alimentam.

Elas tendem a se aglomerar em lugares onde a comida é abundante, para que possam garantir que outras espécies não roubem seu sustento e para que sejam capazes de avisar umas às outras caso apareça um predador. Se a comida acabar, voam para outro lugar, mas geralmente escolhem lugares fixos para descansar.

Como modificar o comportamento das cacatuas

Em cativeiro, pode ser necessário treinar a cacatua para poder examiná-la, transportá-la ou realizar tratamentos veterinários. São animais muito inteligentes, por isso aprenderão rapidamente tudo o que lhes é ensinado.

No entanto, primeiro é necessário que a ave confie no cuidador. Não se deve esquecer que são presas, por isso nunca se deve usar punições em seu treinamento: todo o trabalho já realizado pode ser perdido com uma única punição.

 

O comportamento das cacatuas é complexo.

Os pontos-chave para ensinar qualquer coisa às cacatuas são a repetição e o reforço positivo. Com paciência, todos os procedimentos veterinários, manejo ou aspectos de convivência serão assimilados pela ave, criando um ambiente de confiança e tranquilidade tanto para ela quanto para o ser humano.

Pode interessar a você...
A águia-viúva: uma espécie da floresta tropical
Meus AnimaisLeia em Meus Animais
A águia-viúva: uma espécie da floresta tropical

Nos céus de grande parte do continente americano, vive um pequeno, solitário e excelente caçador: a águia-viúva. Saiba tudo aqui!



  • Romagnano, A., & Hadley, T. L. (2016). Psittacine Behavior, Husbandry, and Enrichment. Exotic Animal Medicine for the Veterinary Technician, 73.
  • Spoon, T. R. (2006). Parrot reproductive behavior, or who associates, who mates, and who cares. Manual of parrot behavior63, 77.
  • Cómo entrenar a una Ninfa Carolina para un mejor comportamiento. (2020, 9 julio). MiNinfa.org. https://www.mininfa.org/como-entrenar-a-una-ninfa-carolina/