A conservação do abutre-barbudo

A conservação do abutre-barbudo na Península Ibérica, assim como a de qualquer outro animal emblemático, apresenta-se como um dos objetivos das autoridades competentes em matéria de biodiversidade animal.

Última atualização: 03 Fevereiro, 2021

O abutre-barbudo desapareceu das montanhas da Europa Central no século XIX. Após a sua extinção na maior parte da península, uma população isolada sobrevive nos Pirineus. Tendo em vista a importância da conservação do abutre-barbudo, atualmente são realizadas diversas atividades voltadas para a conservação dessa ave.

A conservação do abutre-barbudo

Distribuição histórica e atual

Essa ave habitava as principais montanhas europeias, onde foi recentemente avaliado como extinto. Nos Alpes, entretanto, a espécie foi recuperada por meio de programas de conservação. As populações atuais estão na Córsega, em Creta e nos Pirineus, onde ocupam grandes áreas com pecuária extensiva e cortes rochosos.

Menos da metade dos casais que tentam procriar conseguem ter um filhote a cada ano. Isso, aliado à alta mortalidade que sofrem e à sua baixa capacidade colonizadora, torna necessária a ação de projetos que garantam a sua sobrevivência.

Por que eles são maus colonizadores?

Os dados disponíveis permitiram verificar que o surgimento de novos territórios de abutres-barbudos geralmente está associado à criação artificial de postos de alimentação complementar, conhecidos como muladaresPorém, também se deve à presença de aves adultas nas proximidades. Isso levou ao desenvolvimento de técnicas de atração social para conseguir estabelecer espécimes em áreas onde a espécie desapareceu há anos e que atualmente só são visitadas durante voos erráticos.

A aplicação dessas técnicas inclui ações como:

  • Instalação de iscas, que consistem em reproduções em tamanho real de abutres-barbudos de resina sintética. Elas são posicionadas localizadas em lugares consistentes com aqueles que a espécie normalmente visitaria nos Pirineus.
  • Reconstrução de ninhos antigos.

Antigos projetos LIFE permitiram a colocação de iscas no sistema ibérico e está prevista a sua implementação nos Picos da Europa. De fato, estes são sistemas já tiveram bastante eficácia com outras aves, tais como a águia-pesqueira na Córsega ou o milhafre-real na Escócia.

A importância da pecuária para a conservação do abutre-barbudo

A existência dessa ave nas montanhas espanholas está diretamente associada à presença de rebanhos de ovelhas e cabras em regime extensivo. Sua sobrevivência está em conflito com a manutenção do pastoreio na parte norte da península.

O abutre-barbudo é praticamente a única ave que se alimenta exclusivamente de ossos e do seu conteúdo. De fato, costumam obtê-los a partir de restos mortais que já foram consumidos por outros necrófagos, como o abutre-fouveiro, por exemplo.

Ameaças à conservação do abutre-barbudo

A principal causa de mortalidade não natural está associada ao uso ilegal de iscas envenenadas, que atinge também o segmento mais valioso da população: as aves adultas. O uso de veneno é considerado criminoso desde 1995: considera-se que isso causa a morte indiscriminada de milhares de animais silvestres, principalmente predadores e necrófagos em perigo de extinção, como é o caso.

A segunda causa de mortalidade está relacionada à caça ilegal, que é cada vez menos frequente, ou eletrocussões em linhas de transmissão de alta montanha ou colisões. A gestão moderna das empresas de energia elétrica está permitindo a aplicação de medidas corretivas para reduzir o seu impacto na fauna voadora.

A recuperação do abutre-barbudo nos Picos da Europa

Desde 1994, com o apoio do Programa LIFE 02/NAT/E/8624, está sendo desenvolvida uma série de projetos que forneceram informações valiosas sobre o abutre-barbudo, o que melhorou a sobrevivência da população espanhola.

Objetivos do projeto

  • Criar as condições ambientais necessárias para que os exemplares se estabeleçam de forma permanente nessas montanhas.
  • Integrar os programas de conservação do abutre-barbudo no plano diretor do próprio parque nacional.
  • Adaptar as ações de conservação às recomendações da Estratégia de Conservação do Abutre-barbudo na Europa.

Ações para a conservação do abutre-barbudo

Todas elas se enquadram nos critérios estabelecidos pela UICN e na Estratégia Nacional de Conservação do Abutre-barbudo:

  • Estudo do habitat: avalia a qualidade ambiental dos Picos da Europa para manter uma população viável dessas aves.
  • Medidas corretivas das infraestruturas que possam afetar a sua sobrevivência, identificando as linhas de transmissão perigosas para a espécie.
  • Aluguel de terrenos para a instalação de pontos de alimentação complementar e áreas de captura.
  • Manutenção da rede de muladares, cujo abastecimento é feito com alimentos procedentes de matadouros legalizados que garantem a sua qualidade sanitária.
  • Técnicas de atração social e simulação de territórios reprodutivos.
  • Educação ambiental: facilita o conhecimento da espécie, garante a participação social e promove a colaboração das administrações públicas.
  • Monitoramento, com tecnologia de satélite, dos exemplares presentes na área.

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  • Recuperación del Quebrantahuesos en los Picos de Europa. Proyecto LIFE 02/NAT/E/8624.