5 curiosidades sobre os peixes coloridos

junho 4, 2020
Os peixes existem há mais de 450 milhões de anos e são criaturas notáveis. Ao longo de milhares de séculos, eles passaram por excelentes adaptações para sobreviver no ambiente marinho: esse é o caso dos peixes coloridos.

Peixes com cores vibrantes e variedade de padrões são uma das principais características do ecossistema de recifes. Nesse sentido, é interessante saber que já foi demonstrado que esses animais possuem uma visão bem desenvolvida, assim como a capacidade de distinguir cores e padrões coloridos.

O conhecimento científico sobre a capacidade visual dos peixes coloridos continua a aumentar progressivamente. Isso fornece algumas vantagens na natureza.

1. A cor serve para a comunicação e para chamar atenção

As cores e os padrões desempenham um papel importante na comunicação dentro das espécies de peixes em um recife e entre elas. A grande variedade de padrões de cores atesta a necessidade de os peixes se reconhecerem e se identificarem entre si em um ambiente com alta densidade de vizinhos como são os recifes.

Em certas espécies, machos e fêmeas têm padrões de cores diferentes. Isso permite que cada peixe identifique o seu parceiro. A distinção entre machos e fêmeas é de especial importância, por exemplo, durante a reprodução.

2. Os peixes coloridos têm uma estratégia de camuflagem

Acredita-se que a riqueza de padrões tenha sido selecionada como uma vantagem evolutiva. Os padrões permitem a camuflagem e o mascaramento, o que mudou a relação entre predadores e presas.

Assim, em um recife, é possível observar padrões de cores incomuns, tais como listras horizontais e verticais, linhas que escondem os olhos, padrões de cores que imitam o ambiente e muito mais.

curiosidades sobre os peixes coloridos

3. A cor como advertência

O padrão de cores de um peixe venenoso manda uma mensagem clara apenas com a sua presença. As cores avisam os outros peixes de que eles são perigosos.

As cores de advertência são características dos peixes tóxicos ou venenosos. Entre eles estão o peixe-leão (Pterois antennata), com listras castanho-avermelhadas, o peixe-cofre-amarelo (Ostracion cubicus), com manchas pretas, e muitos outros peixes.

Sabe-se que vários padrões em peixes coloridos inofensivos evoluíram para simular padrões de advertência. Ao adotar esses padrões, os peixes se disfarçam e enganam os seus potenciais predadores. Isso é conhecido como padrão de mascaramento.

A estratégia dos padrões de mascaramento visa à exploração da cor e da forma de outros peixes em benefício do peixe disfarçado.

4. Há mudança de sexo nos peixes, acompanhada por uma mudança de cor e padrão

Mais de 500 espécies de peixes são hermafroditas sequenciais: isso significa que eles nascem de um sexo e podem mudar para o sexo oposto ao longo da vida. As espécies que mudam de macho para fêmea são chamadas de “protândricas” e aquelas que mudam de fêmea para macho são chamadas de “protógenas”.

Geralmente, esses peixes vivem em um harém no qual há uma fêmea dominante, embora todas estejam sob os cuidados de um macho. Se o macho morrer, a fêmea dominante assumirá o papel de macho agressivo.

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Em poucas horas, ela já mostra uma mudança de comportamento, cortejando as outras fêmeas. Então, gradualmente, ela adquire as características do macho dominante. A mudança total de sexo leva cerca de 10 dias.

Em geral, os peixes que mudam de sexo também mudam as cores dos seus corpos. Por exemplo, o peixe Anthias – canário-do mar ou andorinha – é laranja enquanto é fêmea e, depois de passar a ser macho, a sua cor se torna roxa.

A mudança não se limita à aparência, pois envolve uma transformação corporal que inclui os seus órgãos reprodutivos. Dessa forma, será produzido esperma em vez de óvulos.

Exemplos de peixes que são hermafroditas sequenciais são o peixe-palhaço, várias espécies de peixes-papagaio, o bodião-limpador (Labroides dimidiatus) ou o bodião-da-cabeça-azul (Thalassoma bifasciatum).

5. Os peixes coloridos não percebem as suas cores da mesma forma que nós

O ponto de partida natural para entender porque os peixes são coloridos é entender como os seus olhos funcionam. Para entender completamente esse ponto, é necessário lembrar que a cor é uma apreciação do cérebro humano.

Dito de forma simples, a luz atinge um objeto que absorve parte de suas ondas eletromagnéticas e reflete o restante, que atinge o olho humano. As ondas refletidas capturadas pelo olho humano são o que chamamos de cor.

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No entanto, o olho humano não vê todas as ondas que compõem a luz. O alcance da luz “visível” varia do vermelho ao violeta. Existem ondas acima do vermelho e abaixo do violeta.

As ondas eletromagnéticas que o olho humano não consegue perceber são compostas pelos infravermelhos e ultravioletas. O espectro é maior e inclui uma variedade de comprimentos de onda diferentes.

Os peixes, entre outros seres vivos, podem perceber espectros de luz que não visíveis aos seres humanos. Como consequência, os peixes têm uma imagem completamente diferente do mundo ao seu redor.

Cerca de metade de todos os peixes conseguem detectar a luz ultravioleta (UV). Além disso, entre 20% e 30% dos peixes podem ver a luz UV como uma cor diferente.

Por exemplo, o peixe damisela – da família Pomacentridae – vê o espectro visível e também detecta a luz UV. Como esse peixe se alimenta de plâncton, que reflete muita luz no espectro UV, essa capacidade representa uma vantagem substancial para esses peixes.

A variedade de capacidade visual depende do habitat do peixe e do gradiente de profundidade em que ele vive. Sabe-se, por exemplo, que grandes predadores tendem a ser daltônicos.

Contudo, os especialistas argumentam que, antes de descobrir por que os peixes são coloridos, é necessário descobrir de que cor eles realmente são aos olhos dos habitantes do mundo marinho.

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