Desde quando há ginetas na Espanha?

julho 20, 2019
Especula-se que os fenícios poderiam ter trazido esta espécie antes da chegada dos árabes no século VIII, dadas as últimas descobertas arqueológicas.

Encontrar ginetas na Espanha não é algo tão incomum. Afinal, estamos falando de um mamífero carnívoro visto com uma certa frequência na Península Ibérica, e presente também na França e nas Ilhas Baleares.

No entanto, este animal parece ser nativo do Oriente Médio e do continente africano, exceto nas áreas mais desérticas, como o deserto do Saara.

O que é uma gineta?

Sua semelhança com um gato não deve nos enganar: falamos de um grupo de pequenos carnívoros que também inclui civetas e outros animais maiores, como o urso-gato-asiático.

A gineta é um animal acinzentado com manchas pretas, rabo listrado, e pode chegar a dois quilos e meio de peso. Além disso, possui grandes olhos que lhe permitem ser um predador noturno experiente, e atinge 10 anos de idade na natureza.

Estes são animais apreciados pela sua pele. Acredita-se que seu nome esteja relacionado ao termo ‘cavaleiro’ em árabe, pois sua pele adornava as selas dos guerreiros muçulmanos.

Teorias sobre a presença de ginetas na Espanha

Existem muitas teorias sobre a chegada das ginetas à Espanha. A mais aceita diz que a espécie foi introduzida na Europa pelos seres humanos, embora a data e a forma ainda sejam debatidas atualmente.

A teoria mais popular é de que elas foram introduzidas na Espanha por árabes, uma vez que estão concentradas na África.

Existem várias espécies “africanas” presentes na Europa cuja origem ainda é debatida, como por exemplo o ouriço Atelerix algirus e o macaco de Gibraltar.

Em geral, existem duas maneiras de determinar se uma espécie é nativa ou é uma espécie invasora trazida na antiguidade. Para isso, é preciso verificar o seu registro fóssil e registros históricos.

Sabemos, por exemplo, que existiam castores espanhóis há milhões de anos, e que sua extinção provavelmente ocorreu na Idade Média.

A história da gineta na Espanha

Pesquisas arqueológicas

No caso da gineta, em 1994 foram encontrados vestígios no Castelo Árabe de Mértola correspondentes ao início do século XIII. No entanto, em 2017 foram encontrados dois esqueletos de ginetas em Málaga, e um dos exemplares morreu no final do século VII.

Esta gineta seria a mais antiga da Europa. Isso sugere que a chegada da gineta na Espanha é anterior aos invasores árabes no início do século oitavo, embora por uma pequena margem de tempo.

Outro fato curioso é que o DNA mitocondrial desta gineta é diferente do encontrado na Europa, o que parece sugerir pelo menos duas chegadas diferentes dessa espécie ao continente europeu.

Curiosamente, essas ginetas foram encontradas em sítios arqueológicos muito mais antigos, algo que sugere que esses animais chegaram cavando àquele lugar séculos depois.

Por isso, é importante não datar a presença de animais em um determinado ecossistema apenas pela camada arqueológica em que os mesmos são encontrados.

Portanto, o surgimento da gineta na Espanha continua sendo um mistério. Estas últimas descobertas parecem apontar para os fenícios. Entretanto, não se sabe se eles fizeram isso como uma forma de controle de pragas, como acontece no norte da África, ou se as mantinham como animais de estimação.