Ensis ensis: habitat e alimentação

setembro 26, 2019
O ensis ensis é um dos moluscos mais comuns e apreciados gastronomicamente.

A espécie na qual falaremos hoje é um habitante marinho que muitos não conhecem. Trata-se do ensis ensis. Com sua forma característica e seu reconhecido valor culinário, é um animal muito comum na maioria das águas do planeta.

Que tipo de animal é o ensis ensis?

Esses invertebrados pertencem a um dos maiores grupos de animais conhecidos: os moluscosDentro desse limite animal, são encontradas cerca de 100.000 espécies – sem contar as extintas – que colonizaram quase todos os ambientes terrestres.

Entre os moluscos, o ensis ensis está classificado entre os bivalves. O próprio nome explica a característica mais proeminente desses animais: eles possuem um par de conchas, que servem como uma proteção para o seu corpo mole.

Outra característica é que, diferentemente do resto dos moluscos, eles não possuem tentáculos ou uma cabeça diferenciada. Todos os bivalves são animais aquáticos e, como tal, seu modo de vida e dieta são adaptados para esse fim.

Que tipo de animal é o ensis ensis?

Características gerais

O ensis ensis ou navalha é o nome comum dado a todos os moluscos do gênero Ensis. Atualmente existem 13 espécies descritas, e todas elas são comumente conhecidas como navalha de espada.

Embora o tamanho varie ligeiramente, dependendo da espécie, geralmente é de 7 a 22 centímetros. As conchas – também chamadas de abas – são alongadas e simétricas, com cores que variam do branco azulado ao marrom.

Normalmente, a consistência das abas é irregular, então eles tendem a se quebrar facilmente.

São animais unissexuais, nos quais a fertilização ocorre externamente. Isso significa que os óvulos e os espermatozoides são liberados no ambiente marinho, o que resulta na posterior fertilização. Quando as larvas se tornam adultas, elas param de flutuar e vão para o fundo, seu habitat natural.

Habitat do ensis ensis

O local ideal para as navalhas é o fundo do mar, principalmente se for uma região rasa. É comum encontrá-las nas praias do Mediterrâneo, assim como no Oceano Atlântico e no Mar do Norte.

Habitat do ensis ensis

Para chegarem ao fundo do mar e se enterrarem, eles usam uma técnica de ancoragem específica. Usando seu pé longo e poderoso, a navalha começa a criar um pequeno buraco vertical.

Quando o buraco começa a se encher com a mistura de água e areia, ele coloca todo o corpo em movimento – também as abas – e se enterra em alta velocidade. Isso permite que se protejam de encontros desagradáveis ​​com seus predadores.

Valor nutricional e alimentar

Independentemente das espécies ou do habitat do ensis ensis, pode-se dizer que todas as espécies baseiam sua dieta em um único meio de subsistência: o plâncton, um agrupamento de micro-organismos de vida livre aquática.

A maneira como eles se alimentam tem muito a ver com o modo e o mecanismo por meio do qual eles ficam enterrados.

Como comentamos anteriormente, a navalha usa seu pé musculoso para se enterrar no fundo do mar. Esse movimento gera um fluxo de água, que os moluscos usam para filtrar os alimentos através de suas brânquias.

Na gastronomia, a carne desses moluscos é uma das mais apreciadas e consumidas, seja fresca ou enlatada. Em muitas regiões costeiras, constitui um importante complemento alimentar.

No entanto, esse alto valor tem consequências negativas, uma vez que a demanda de algumas espécies – como o Ensis macha – está comprometendo a conservação desses moluscos.

  • Márquez, F., & Van Der Molen, S. (2011). Intraspecific shell-shape variation in the razor clam Ensis macha along the Patagonian coast. Journal of Molluscan Studies77(2), 123-128.

 

  • Darriba, S., & Miranda, M. (2005). Impacto del descenso de la salinidad en la reproducción de la navaja (Ensis arcuatus). VIII Foro dos Recursos Mariños e da Acuicultura das Rías Galegas, 239-242.

 

  • Barón, P. J., Real, L. E., Ciocco, N. F., & Ré, M. E. (2004). Morphometry, growth and reproduction of an Atlantic population of the razor clam Ensis macha (Molina, 1782). Scientia Marina68(2), 211-217.