Tudo sobre a migração das sardinhas

outubro 2, 2019
Todos os anos, um impressionante fenômeno natural ocorre nas águas africanas. Descubra todos os detalhes sobre a migração das sardinhas neste artigo.

Este fenômeno natural é, sem dúvida, um dos maiores espetáculos que a natureza pode nos oferecer. A migração das sardinhas é, em termos de volume de espécimes, a maior migração já registrada. Se você quiser saber mais sobre esse êxodo animal, não perca o que vem a seguir.

A sardinha, um animal viajante?

O reino animal é extenso e diversificado. Existem espécies de tamanhos diferentes adaptadas para viver em ambientes distintos. Além disso, podemos encontrar animais sedentários – ou estacionários – e outros nômades. Entre os últimos, algumas espécies de peixes são um bom exemplo.

O salmão e a enguia são dois exemplos de espécies que vivem entre a água doce e a água salgada. No entanto, existem outras espécies que migram dentro do mesmo tipo de água, por um motivo ou outro. Algumas espécies que seguem esse padrão de comportamento são os atuns e as sardinhas.

Se nos aprofundarmos no grupo das sardinhas, descobriremos que a espécie conhecida como Sardinops sagax é a principal protagonista da sardine run, ou migração das sardinhas.

Esse êxodo ocorre na costa da África do Sul entre os meses de maio e julho, e estima-se que bilhões de exemplares sejam mobilizados.

Cardumes de sardinhas

Causas da migração das sardinhas

Atualmente não existe uma explicação única e inequívoca para a migração das sardinhas. No entanto, várias hipóteses explicativas são consideradas.

A primeira tem uma abordagem reprodutiva, pois acredita-se que esse fenômeno seja uma migração reprodutiva sazonal.

Outra causa possível tem a ver com a preferência das sardinhas por águas frias. Alguns especialistas acreditam que existe uma relação entre o deslocamento de massas de água fria – de 14 a 20 ºC – para o norte da costa sul-africana e a migração das sardinhas.

Como ocorre a migração das sardinhas?

Para se locomover, as sardinhas formam grandes bancos ou cardumes. Esse tipo de agrupamento tem objetivos defensivos, uma vez que as chances de uma sardinha não ser capturada por um predador aumentam quanto mais compacto for o cardume.

Se falarmos em termos de volume, os números são impressionantes. Um cardume de sardinhas tem cerca de 7 km de comprimento e 1,5 km de largura.

Isso, combinado aos 30 metros de profundidade, faz com que a migração das sardinhas possa ser observada a partir de navios ou aviões que sobrevoem a área.

Como ocorre a migração das sardinhas?

Como é evidente, uma massa tão grande de peixes não passa despercebida. É por isso que muitas espécies marinhas – golfinhos, tubarões-touro ou tubarões-tigre – e aves aproveitam a oportunidade para se alimentar quase sem esforço.

Os golfinhos, por exemplo, ‘encurralam’ o banco de sardinhas com o objetivo de separar pequenos grupos e se alimentar.

O volume e a concentração de alimentos atingem uma magnitude tão grande que ocorre o que é conhecido na biologia como frenesi alimentar: os predadores ficam em um estado de agitação tão intensa que até mordem uns aos outros.

Existem outros fenômenos semelhantes?

Em termos de magnitude, a migração das sardinhas é incomparável. No entanto, há outro êxodo de animais terrestres quase tão impressionante. Trata-se da migração de gnus, que mobiliza todos os anos mais de um milhão de exemplares que atravessam o rio Mara entre o Quênia e a Tanzânia.

Se falarmos de distância, encontraremos alguns exemplos que vale a pena mencionar. Um deles é o da borboleta-monarca (Danaus plexippus), que percorre cerca de 8.000 quilômetros para chegar às florestas canadenses.

Outra é a baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae), que pode migrar até 25 mil quilômetros por ano.

  • Fréon, P., Coetzee, J. C., Van der Lingen, C. D., Connell, A. D., O’Donoghue, S. H., Roberts, M. J., … & Hutchings, L. (2010). A review and tests of hypotheses about causes of the KwaZulu-Natal sardine run. African Journal of Marine Science32(2), 449-479.
  • Van Der Lingen, C. D., Coetzee, J. C., & Hutchings, L. (2010). Overview of the KwaZulu-Natal sardine run. African Journal of Marine Science32(2), 271-277.