Peixe-anjo Centropyge loriculus: habitat, características e cuidados

Os principais exportadores de peixe-anjo Centropyge loriculus são as Ilhas Marshall e a Ilha Christmas, que fazem parte da Polinésia Francesa.
Peixe-anjo Centropyge loriculus: habitat, características e cuidados

Última atualização: 30 Julho, 2021

O peixe-anjo Centropyge loriculus é uma espécie chamativa devido às suas cores vermelhas brilhantes e faz parte da família dos peixes-anjos-anões. É um importante peixe ornamental, pois possui grande popularidade entre os amantes de aquários marinhos. Infelizmente e devido às suas características, nem todos conseguem manter esses animais saudáveis no ambiente doméstico.

O peixe-anjo Centropyge loriculus pertence à família Pomacanthidae, que compreende várias espécies similares no formato, mas diferentes na coloração. Continue lendo para aprender mais sobre esse peixe tão enigmático.

Habitat do peixe-anjo Centropyge loriculus

Esse peixinho tem preferência por habitats ligeiramente profundos, entre 5 e 60 metros de profundidade. É possível encontrar esse peixe em regiões do Pacífico central e ocidental, desde o leste da Indonésia até as ilhas Marquesas. Por isso, é bastante comum nas ilhas da Polinésia Francesa, que são regiões tropicais.

 

Características físicas

Esse peixe tem o corpo achatado, com uma barbatana dorsal em forma de crista e uma barbatana anal menor, que termina onde começa a sua cauda. As barbatanas peitorais são bastante pequenas e translúcidas e são acompanhadas por barbatanas caudais logo abaixo, que se assemelham a “pelos” ou a uma espécie de barba.

Seu tamanho pode chegar a 15 centímetros, mas no aquário costuma ficar em torno de 8 ou 10 centímetros, dependendo da disponibilidade de alimento e do tamanho do habitat. Além disso, sua boca contém vários dentes tricúspides, que servem para triturar melhor os alimentos.

Esse peixe se destaca por sua coloração vermelho-alaranjada brilhante, com 4 ou 5 linhas pretas de cada lado do corpo. Suas barbatanas dorsal e anal apresentam um padrão alternado entre tons de preto e roxo. Por outro lado, sua barbatana caudal (a cauda) é translúcida, com tons menos brilhantes e alaranjados.

Uma nova espécie de peixe-anjo Centropyge loriculus?

Esse pequeno animal tem uma coloração diferente quando vem das Ilhas Marquesas, já que não apresenta linhas pretas e exibe um tom vermelho mais predominante. Quem é apaixonado por aquário chama esse organismo de “forma havaiana”, devido à sua diferença em relação aos tons originais.

Infelizmente, a razão pela qual o peixe apresenta essa diferença de cor ainda não é conhecida, no entanto, uma hipótese foi proposta. Segundo o Instituto de Biologia Marinha do Havaí, parece significar que o peixe está se diferenciando, ou seja, uma nova espécie está se formando. Isso significa que no futuro pode haver um novo tipo de peixe-anjo Centropyge loriculus.

Embora essa ideia seja empolgante, é provável que não cheguemos a ver essa diferenciação evolutiva. Esse tipo de processo é demorado e a especiação não ocorre totalmente até que as populações selecionadas sejam incapazes de se reproduzir umas com as outras.

Comportamento do peixe-anjo Centropyge loriculus

O gênero Centropyge se caracteriza por englobar peixes solitários, que só interagem entre si quando chega a época do cortejo. Por sua vez, a espécie que apresentamos aqui passa a maior parte do tempo à procura de comida e se alimentando, sem se afastar muito do seu recife.

Embora muito de sua biologia seja desconhecida, suspeita-se que a coloração possa ter o propósito de comunicação com a própria espécie. Além disso, acredita-se que a variação da tonalidade ao longo do tempo possa ter um papel importante durante sua reprodução, porém, as pesquisas ainda não são conclusivas.

Dieta do peixe-anjo Centropyge loriculus

Pode-se dizer que esse peixe tem uma alimentação bastante variada, composta por algas e vários invertebrados. Na verdade, ele é conhecido por atacar esponjas e corais, comendo partes deles. Essa é uma das razões pelas quais os espécimes costumam ter conflitos quando são colocados em aquários.

Na verdade, para sua reprodução, esses organismos precisam consumir grandes quantidades de ácidos graxos. Isso porque a composição do vitelo que compõe os ovos é melhor quando a dieta da mãe aumenta seu consumo de gordura. Em outras palavras, a sobrevivência da prole dependerá da dieta materna.

Reprodução do peixe-anjo Centropyge loriculus

O ritual de acasalamento desse organismo é realizado por territórios, nos quais cada macho possui um harém de 4 a 7 fêmeas. Esse agrupamento é formado por meio de recrutamento, no qual o macho exibe seus encantos enquanto conquista suas parceiras.

Essa espécie está muito bem adaptada, pois é capaz de mudar de sexo se necessário. Todos os espécimes são hermafroditas protogínicos, o que significa que nascem fêmeas, mas têm a capacidade de se tornarem machos. Desse modo, se um harém perder seu macho, uma fêmea poderá substituí-lo, tornando-se a nova dona do grupo.

Segundo estudo publicado na revista científica Journal of Ethology, a mudança pode ser rápida e em cerca de 20 dias a antiga fêmea se torna um macho capaz de acasalar. Além disso, esse comportamento pode acontecer sem que o macho original desapareça.

Esses organismos são máquinas produtoras de peixes, pois podem se reproduzir diariamente. Eles não têm uma época específica, já que não precisam disso, e as integrantes do harém são capazes de desovar uma vez ao dia, produzindo entre 100 e 1000 ovos cada.

Cada ovo pode medir entre 0,65 e 0,75 milímetros e eclode entre 14 e 16 horas após a fertilização. As larvas que saem deles têm pouco mais de um milímetro de comprimento, mas após 72 horas já é um organismo capaz de se alimentar por conta própria.

O desenvolvimento desse tipo de peixe é muito rápido, já que entre 60 e 110 dias a larva se torna adulta.

Cuidado de aquário

Como a maioria dos peixes marinhos, os peixes-anjos Centropyge loriculus são muito difíceis de manter, porque são sensíveis às mudanças no ambiente. Portanto, o melhor a fazer é ter aparelhos que meçam constantemente a qualidade da água.

Para começar, o tanque deve ter no mínimo 300 litros, com decoração suficiente para lembrar seu habitat natural. Uma boa estratégia é ter rochas com elementos vivos que sirvam de refúgio para os peixes reduzirem seu estresse. Embora alguns suportem convivendo com corais e esponjas, isso depende do temperamento do espécime, por isso não é recomendado mantê-lo nesse ambiente.

Variáveis da água

Para manter esse organismo saudável, pelo menos os seguintes requisitos de água devem ser atendidos:

  • Temperatura: 24° C – 28° C.
  • Gravidade específica: 1020-1024.
  • Nitratos: <20 miligramas/litro.

Alimentação em cativeiro

Em relação à alimentação, essa espécie consegue se adaptar a produtos comerciais, porém, também se alimenta de algas que são produzidas dentro do tanque. Portanto, ter uma boa iluminação é fundamental para complementar sua alimentação.

É necessário ter cuidado com o aspecto anterior, uma vez que apenas espécimes adultos são capazes de se adaptar. Já os jovens têm sua dieta baseada no zooplâncton. Portanto, se você não tomar cuidado, eles podem morrer em poucos dias. É por essa razão que o uso de alimentos vivos, como os copépodes, deve ser levado em consideração para salvaguardar sua saúde.

Isso pode ser muito útil, mas não garante que os peixes sobreviverão. Lembre-se de que eles estão fora de seu habitat e por falta de informações ainda não é possível saber como fornecer 100% da nutrição mantida em seu ambiente natural.

O pior inimigo, o estresse

Esse peixe, assim como muitos outros, pode sofrer de estresse ao chegar em seu novo lar. Portanto, é importante que você siga todos os passos necessários para aclimatar o novo membro do aquário. Além disso, a essa altura já deverá ter todo o habitat preparado, com estruturas suficientes para se refugiar, para que o peixe se sinta confortável.

Pode parecer fácil para você, mas esse processo pode ser mortal se não for feito corretamente. Peixes que são territoriais tendem a sofrer muito quando removidos de um habitat, precisando de tempo e espaço para se aclimatar ao novo.

A importância está no fato de que o estresse é capaz de baixar as defesas do peixe, fazendo-o adoecer. Por esse motivo, esses animais não são adequados para tutores de primeira viagem, já que a falta de conhecimento costuma ter um desfecho fatal.

 

O peixe-anjo Centropyge loriculus em um fundo branco.

Embora existam espécies com formas incríveis e bonitas, nem todas são adequadas para serem animais de estimação. Em particular, as espécies marinhas são bastante difíceis de manusear, uma vez que seu ambiente deve ser perfeitamente controlado. Lembre-se de que, no final, não se trata apenas de dinheiro, mas de que uma vida depende inteiramente de você. Informe-se para tomar as melhores decisões.

Pode interessar a você...
Peixe-anjo-rainha: habitat e características
Meus AnimaisLeia em Meus Animais
Peixe-anjo-rainha: habitat e características

O peixe-anjo-rainha é um peixe que vive em recifes de coral e muda de cor à medida que cresce. Alimenta-se de esponjas e outros invertebrados.



  • Moyer, J. T., & Zaiser, M. J. (1984). Early sex change: a possible mating strategy ofCentropyge angelfishes (Pisces: Pomacanthidae). Journal of Ethology2(1), 63-67.
  • Moorhead, J. A., & Zeng, C. (2010). Development of captive breeding techniques for marine ornamental fish: a review. Reviews in Fisheries Science18(4), 315-343.
  • Callan, C. K., & Laidley, C. W. (2010). The effects of water source and secondary water treatment on flame angelfish Centropyge loriculus (Günther) reproduction. Aquaculture Research41(10), e537-e544.
  • Laidley, C. W., Callan, C. K., Burnell, A., Liu, K. K., Bradley, C. J., Mira, M. B., & Shields, R. J. (2008). Development of aquaculture technology for the flame angelfish (Centropyge loriculus). Regional Notes: Center for Tropical and Subtropical Aquaculture19(2), 4-7.
  • Callan, C. K., Laidley, C. W., Forster, I. P., Liu, K. M., Kling, L. J., & Place, A. R. (2012). Examination of broodstock diet effects on egg production and egg quality in flame angelfish (Centropyge loriculus). Aquaculture Research43(5), 696-705.
  • Pyle, R., (2001). Pomacanthidae: Angelfishes. p. 3266-3286. In K.E. Carpenter and V.H. Niem (eds.) FAO species identification guide for fishery purposes. The living marine resources of the Western Central Pacific. Volume 5. Bony fishes part 3 (Menidae to Pomacentridae). Rome, FAO.
  • Schultz, J. K., Pyle, R. L., DeMartini, E., & Bowen, B. W. (2007). Genetic connectivity among color morphs and Pacific archipelagos for the flame angelfish, Centropyge loriculus. Marine Biology151(1), 167-175.
  • Bauer Jr, J. A., & Bauer, S. E. (1981). Reproductive biology of pigmy angelfishes of the genus Centropyge (Pomacanthidae). Bulletin of Marine Science31(3), 495-513.
  • Callan, C. K. (2007). Assessment of the flame angelfish (Centropyge loriculus) as a model species in studies on egg and larval quality in marine fishes.