O peixe-lua, o peixe mais pesado do mundo

junho 27, 2020
O peixe-lua detém o título de peixe ósseo mais pesado do mundo. Como será que ele consegue isso?

O peixe-lua (Mola mola) não é apenas extremamente chamativo na aparência, também é o peixe ósseo mais pesado do mundo. Peixes ósseos são animais vertebrados cujo esqueleto está totalmente calcificado, embora ainda possam ter certas partes cartilaginosas.

Eles diferem bastante dos peixes cartilaginosos, como os tubarões ou as raias, os quais têm um esqueleto de cartilagem, exceto a mandíbula, que é de osso. Por esse motivo, encontramos apenas as mandíbulas dos tubarões pré-históricos e nunca outras partes do corpo.

O peixe-lua foi perseguido nos séculos anteriores, pois sua carne era considerada uma iguaria. Felizmente, nos dias atuais ele é consumido apenas em algumas regiões do leste da Ásia, e sua pesca e seu consumo são totalmente proibidos na União Europeia e em outros países do mundo.

Ainda assim, o número de exemplares no mundo está diminuindo. Portanto, o peixe-lua é uma espécie vulnerável, de acordo com a UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Anatomia do peixe-lua

Anatomia do peixe-lua

A anatomia do peixe-lua é muito única. Seu corpo, quando adulto, é achatado lateralmente. Eles não têm barbatana caudal, mas, em vez disso, têm uma estrutura chamada clavus, que é um tipo de extensão de pele no corpo que lhes confere uma aparência mais ágil.

Por outro lado, as barbatanas dorsal e anal são extremamente desenvolvidas e, quando expandidas, o peixe fica tão largo quanto longo.

Como quase todos os peixes, o peixe-lua é mais escuro na sua área dorsal e mais claro na sua área ventral. Isso serve como camuflagem, pois se um predador os olha de cima, eles são confundidos com a escuridão das profundezas e, se vistos de baixo, podem não ser notados ​​devido à claridade da luz que entra na superfície.

Outro aspecto curioso sobre o peixe-lua é que ele pode mudar sua coloração caso se sinta ameaçado ou estiver sob ataque.

Por que o peixe-lua é tão grande?

Desde a descoberta de dados sobre as capturas do peixes-lua, foram encontrados exemplares realmente enormes.

No ano de 1910, na costa leste da África, perto das Ilhas Canárias, foi capturado um espécime que pesava mais de 1.500 kg, ou seja, uma tonelada e meia. Desde então, peixes ainda maiores foram pescados, com exemplares pesando mais de 3.000 kg.

Um estudo recente publicado na revista GigaScience indica que o peixe-lua atinge tamanhos tão grandes devido a uma alta taxa de crescimento. Isso acontece devido a uma série de genes que causam uma superprodução do hormônio de crescimento.

Em cativeiro, observou-se que um peixe-lua engorda 820 gramas por dia durante 15 meses, um total de 400 kg em pouco mais de um ano. Se compararmos com a taxa de crescimento de um peixe normal – entre 0,02 a 0,49 kg por dia -, podemos notar que sua taxa de crescimento é incrivelmente alta.

Por que ele é tão grande?

Predadores

Na natureza, os peixes-lua não têm muitos predadores, apenas grandes tubarões, orcas e leões-marinhos. A verdadeira ameaça desse animal, como a de muitos outros, é o ser humano ou sua atividade.

Embora em muitos lugares sua pesca seja proibida, há numerosos casos de capturas acidentais. Ou seja, eles são capturados nas redes sem serem o alvo da pesca. Essas redes são do tipo branquial ou de arrasto, ilegais em muitos países, pois são a causa do desaparecimento de muitas outras espécies, como a vaquita.

Embora não seja um peixe comercial, é importante para o mercado no Japão e em Taiwan. Na Espanha, são movimentadas entre 20 e 50 toneladas de carne de peixe-lua. Sua pesca ocorre no Pacífico ocidental e no sul do Atlântico.

Vamos torcer para que, em um futuro não muito distante, esse gigante marinho que tanto chama nossa atenção pare de ser pescado e consumido de forma definitiva. Sua imagem enriquece os mares e a imaginação de muitas pessoas.

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  • Gudger, E. W. (1928). Capture of an ocean sunfish. The Scientific Monthly, 26(3), 257-261.
  • Liu, J., Zapfe, G., Shao, K.-T., Leis, J.L., Matsuura, K., Hardy, G., Liu, M., Robertson, R. & Tyler, J. 2015. Mola mola (errata version published in 2016).