As reações dos primatas capturadas pelas câmeras

abril 16, 2019
Os primatas cujo comportamento foi capturado por armadilhas fotográficas agem de formas diferentes: bonobos, gorilas e chimpanzés sabem que há câmeras, mas não reagem da mesma maneira.

O uso de armadilhas fotográficas ajudou muito a investigar a vida secreta dos animais selvagens, uma vez que eles quase não reagem a elas. Porém, este não é o caso dos primatas capturados por este tipo de dispositivo na África, pois um estudo analisou as diferentes reações de chimpanzés, bonobos e gorilas a esses objetos estranhos.

Foi o Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária que fez essas imagens, enquanto tentava entender como os animais mudavam de comportamento por causa da introdução de novos objetos no seu habitat natural, como foram as câmeras, neste caso.

O que são as armadilhas fotográficas?

As armadilhas fotográficas são básicas para a pesquisa: compactos e com baterias duráveis, esses dispositivos digitais camuflados fazem fotografias e vídeos na presença de movimento, o que permite recensear os animais ou até mesmo registrar o seu comportamento.

Embora as armadilhas fotográficas e outros dispositivos sejam ferramentas cotidianas na pesquisa científica, não está claro se esses objetos humanos alteram o comportamento de alguns animais selvagens. Muito do nosso conhecimento sobre os animais mais tímidos do reino animal se devem a ferramentas como essas, mas elas poderiam alterar o comportamento dos animais.

Armadilhas fotográficas para primatas

Um estudo sobre as reações dos primatas capturadas pelas câmeras

De acordo com os resultados do estudo publicado na revista Current Biology, liderado pela primatologista Ammie Kalan, grandes primatas capturados pelas câmeras, tais como bonobos, chimpanzés ou gorilas, reagem de forma clara e alteram o seu comportamento diante destes objetos novos no seu ambiente.

Isso não foi algo surpreendente, uma vez que já tinha sido visto em mais de uma ocasião. O estudo foi feito com 43 grupos de grandes símios ao longo de 14 campos de pesquisa em toda a África Central.

O que realmente chamou a atenção dos pesquisadores foi que os diferentes primatas capturados nos vídeos mostravam reações bastante distintas.

Para os pesquisadores, isso traz lições claras para futuros estudos não invasivos com esses animais tão impressionantes. Buscar maneiras melhores de camuflar as câmeras ou de familiarizar os animais com elas poderia contribuir para que o seu comportamento não fosse modificado.

Espécies diferentes, reações distintas

Os chimpanzés, por exemplo, em muitas ocasiões, pareciam ignorar as câmeras e mostravam pouco interesse ou medo. No entanto, as reações dos gorilas e bonobos foram bastante semelhantes, com esses animais apresentando comportamentos de clara preocupação com o novo objeto, embora posteriormente demonstrassem uma maior curiosidade.

Ocorre que os bonobos são os animais que têm mais respostas de medo diante desses objetos, mas também são aqueles nos quais a curiosidade é mais aguçada pelas câmeras colocadas pelos pesquisadores na selva.

Espécies diferentes, reações distintas

Certamente, isso depende bastante dos indivíduos e populações estudadas: os primatas de áreas mais remotas têm reações mais claras aos objetos humanos, como no caso dos curiosos chimpanzés do Triângulo Goualougo, por exemplo.

Também foi observado que os animais mais jovens foram os que mais mantiveram a atenção nesses objetos, principalmente quando estavam sozinhos ou em grupos pequenos.

A resposta que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a dos bonobos, por ser radicalmente diferente daquela dos seus parentes mais próximos, os chimpanzés. Os pesquisadores acreditam que isso pode ter influência do tipo de liderança entre os bonobos, muito mais igualitária e onde as reações como o medo se espalham muito mais rapidamente.

  • Kalan, A. K., Hohmann, G., Arandjelovic, M., Boesch, C., McCarthy, M. S., Agbor, A., … Kühl, H. S. (2019). Novelty Response of Wild African Apes to Camera Traps. Current Biology. doi:10.1016/j.cub.2019.02.02