Respiração traqueal em animais

A respiração traqueal em animais é aquela utilizada por pequenos seres como os insetos para realizar as trocas de gases (oxigênio e dióxido de carbono) que lhes permitem viver. Vamos ver o que é e como funciona.
Respiração traqueal em animais

Última atualização: 22 Julho, 2021

O ato de respirar é algo que todos os seres vivos compartilham, pois essa troca de gases entre o meio ambiente e o próprio corpo permite a vida. Quando se fala em respiração, vários tipos são diferenciados, alguns muito distantes do mecanismo pulmonar típico. Por exemplo, podemos citar a respiração traqueal em animais.

Esse tipo de respiração não é bem conhecido e, no entanto, é uma das mais comuns no reino animal, pois é a utilizada por insetos (entre outros invertebrados). É típico de animais muito pequenos, pois tem suas limitações. Vamos ver em que consiste esse sistema respiratório, bem como as partes que o compõem.

O que é a respiração traqueal em animais?

A respiração traqueal em animais é feita por meio de várias aberturas encontradas em seu corpo. Os animais que a praticam não tem um grande sistema respiratório, diferentemente daqueles que se utilizam da respiração pulmonar, mas a respiração pode ser feita ao longo de sua superfície. Isso proporciona uma grande vantagem, pois facilita muito a chegada de oxigênio a todas as células do corpo.

Quando se trata de pequenos invertebrados ou daqueles que estão em um momento de baixa atividade em que a necessidade de oxigênio é menor, esse gás entrará no corpo do animal através da pele por difusão. O mecanismo é considerado um sistema passivo.

Ao contrário, se o invertebrado for grande ou precisar de mais ar, por exemplo, ao voar, ele terá que ventilar para que o ar entre em seu corpo pelos espiráculos (poros) encontrados em sua pele. Esse sistema é ativo, ao contrário do anterior.

 

Um bicho-pau em posição de defesa.

Sistema respiratório traqueal em animais

Para entender melhor o sistema respiratório traqueal em animais, o ideal é conhecer os três elementos fundamentais que o compõem e sua missão ou funcionamento. Vamos lá!

Em primeiro lugar, temos os espiráculos, também conhecidos como estigmas, poros redondos que possuem mais de um sistema de fechamento e podem estar distribuídos no corpo de diferentes maneiras. Por meio deles, o ar entra no corpo.

O próximo elemento é a traqueia, que consiste em um tubo oco pelo qual o ar passa. Toda a traquéia possui um tecido permeável a gases e pode ter pequenas câmaras para armazenar oxigênio, algo realmente útil para o voo.

Finalmente, o ar viaja através da traquéia até o seu final, de onde surgem as traquéolas. São ramos finos que permitem que os gases sejam transportados para as células do corpo.

Troca gasosa na respiração traqueal

A respiração de artrópodes com traqueia, entre os quais estão os insetos, é um mecanismo descontínuo em muitos casos. Isso implica que os poros pelos quais esses seres respiram estão fechados, de forma que somente o ar que está no sistema traqueolar é o que será trocado.

Não surpreendentemente, a limitação de ar dentro do animal diminuirá à medida que o dióxido de carbono aumenta. Em um determinado ponto, os espiráculos começam a abrir e fechar continuamente, o que causa a liberação de CO2 de forma flutuante. Em seguida, eles se abrirão completamente, permitindo a saída completa do dióxido de carbono e recuperando o oxigênio.

Limitações da respiração traqueal

A principal limitação da respiração traqueal é determinada pelo tamanho do corpo do animal, pois deve ser pequeno. Isso ocorre porque a falta de órgãos grandes e poderosos, como os pulmões, não permite a absorção de grandes quantidades de oxigênio.

Consequentemente, se os insetos ou outros animais com respiração traqueal crescessem, eles não seriam capazes de obter todo o ar de que precisam para viver e possivelmente morreriam. A única maneira de sobreviver seria vivendo em ambientes em que a quantidade de oxigênio fosse maior.

Adaptações da respiração traqueal em insetos aquáticos

Em insetos terrestres, a respiração traqueal é bastante simples. Mas o que acontece com os seres aquáticos que usam esse mecanismo? Eles não podem deixar seus espiráculos se abrirem debaixo d’água, pois o líquido entraria em seus corpos e, em muitos casos, eles morreriam.

A resposta está nos estudos de especialistas, que apontam as diferentes estruturas que permitem a alguns invertebrados aquáticos trocar gases com o meio ambiente. Estas são as principais.

Espiráculos funcionais

Estão presentes no corpo das larvas de mosquito, por exemplo. São poros que podem ser abertos ou fechados conforme a necessidade. Nesse exemplo específico, o que as larvas fazem é trazer a parte final do abdômen para a superfície, abrir os poros dessa área, obter oxigênio e mergulhar novamente.

Brânquias traqueais

Guardam semelhança de funcionamento em relação às guelras dos peixes. A água entra pelas brânquias traqueais, mas apenas o oxigênio contido é o que segue o caminho para o sistema traqueal e daí para as células. No aspecto físico, essas guelras geralmente estão localizadas na parte de trás do abdômen do animal.

Brânquia de bolhas

Na respiração traqueal em insetos aquáticos, também encontramos a brânquia de bolha. Nessa possibilidade, 2 tipos podem ser diferenciados:

  • Incompressível ou plastrão: o animal sai à superfície e obtém uma bolha de ar que funcionará como uma traqueia, permitindo-lhe retirar o oxigênio da água graças a ela. Essa bolha pode ser ilimitada, uma vez que permanece constantemente do mesmo tamanho.
  • Compressível: nesse caso, a bolha que o animal pega na superfície diminuirá de tamanho se ficar muito fundo ou nadar o animal muito, o que causará a necessidade de subir novamente à superfície para obter uma nova bolha.

Na variante incompressível, o animal possui milhões de pelos hidrofóbicos em uma área muito específica e pequena de seu corpo, na qual essa bolha ficará encerrada. O mesmo não acontece com a brânquia compressível.

Exemplos de respiração traqueal em animais

Alguns dos animais que usam a respiração traqueal para sobreviver são:

  • Aracnídeos: carrapatos, escorpiões, aranhas ou ácaros são alguns exemplos. Eles podem ter traqueias e filotraqueias.
  • Insetos: esses animais invertebrados tão comuns, como formigas, besouros, abelhas ou vespas, que têm 6 patas e que podem viver em ecossistemas terrestres e aquáticos também utilizam a respiração traqueal.
  • Miriápodes: semelhantes aos insetos, mas com muito mais pernas. Os exemplos são sínfilos, paurópodes ou centopeias.
  • Onicóforos: conhecidos como vermes aveludados, possuem numerosos pares de patas, além de garras, e são alongados.

 

Uma tarântula azul-acastanhada.

Como você pôde notar, a respiração traqueal é a prova evolutiva de que mesmo os seres vivos “aparentemente mais simples” carregam sistemas muito complexos. Graças a ela, muitos invertebrados são capazes de transportar oxigênio para suas células e sobreviver.

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