Santuários de primatas na Espanha

· setembro 10, 2018
Os santuários de primatas foram criados para acomodar animais que são vítimas de maus-tratos. Inclusive, esses lugares atendem os espécimes que foram explorados em circos ou no cinema, e os que foram vítimas de tráfico ilegal. A Espanha acaba sendo uma porta de entrada para animais da África.
Cada vez mais, a sociedade se posiciona contra a exploração de primatas, por isso existem vários santuários de primatas na Espanha. Você pode colaborar de diferentes maneiras com esses lugares e até mesmo visitá-los para conhecer a história das espécies que vivem neles.

Por que existem santuários de primatas?

Os primatas são um grupo de animais com fortes laços familiares e necessidades sociais. Por isso, são uma das espécies que mais sofrem com a exploração humana. Circos, laboratórios ou mesmo casas que possuem primatas estão entregando esses animais às autoridades, seja por acordo mútuo ou não.

A maioria dos países do mundo, incluindo a Espanha, não possui centros públicos que possam acomodar esses animais. Portanto, embora os primatas confiscados sejam do governo, eles são cedidos a centros que cuidam altruisticamente desses espécimes ao longo de suas vidas. Esses lugares contam com pouca ajuda estatal para realizar essa tarefa.

A Espanha é a porta de entrada para o tráfico de animais selvagens na Europa e a legislação é permissiva no que diz respeito à posse desses animais. Isso explica por que muitos desses santuários de primatas surgiram na Península Ibérica.

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De onde vêm os animais que chegam aos santuários de primatas?

Existem várias razões para alguém querer ter esses animais, uma das mais preocupantes é a vontade de ter um mascote. Ter um macaco como animal de estimação pode acarretar consequências penais, além de ser perigoso para os animais e seus donos. Por isso, muitos proprietários dão seus primatas a esses centros.

Macaco andando de triciclo em circo

O circo é outro dos locais de onde vêm a maioria dos primatas que chegam a esses centros. Já faz muitos anos que a utilização de grandes símios em circos foi proibida. Por isso, muitos têm finalmente dado esses animais a santuários de primatas. A espécie que mais sofreu nesse aspecto é o chimpanzé.

A exploração audiovisual, como a filmagem de anúncios e filmes, é outro dos usos dados a esses animais. Muitas pessoas ainda não sabem que ver um macaco com roupas não é engraçado. Além disso, há primatas que sofreram muito durante treinamentos, a fim de realizar comportamentos humanizados em séries ou filmes. Existe a alternativa de usar efeitos audiovisuais para evitar essa tortura.

Embora menos comum, a apreensão direta de animais traficados ilegalmente, antes de sua venda, também é fonte de animais para esses centros. O uso na pesquisa é menos comum na Espanha. Entretanto, como Jane Goodall denuncia, ainda há muitos países que usam grandes primatas para realizarem experimentos.

Jane Goodall: grande defensora dos primatas

Rainfer, o santuário de primatas mais antigo da Espanha

O mais antigo dos santuários de primatas na Espanha é o Rainfer, que opera há mais de 20 anos. Seu fundador foi o biólogo Guillermo Bustelo.

O objetivo do Rainfer é cuidar de primatas de dezenas de espécies diferentes. Já que esses animais não podem retornar à natureza, muitos mal sabem socializar com os membros de sua espécie.

Localizado em um lugar secreto em Madrid para evitar desconforto e perigo para os seus primatas, o centro pode ser visitado nos fins de semana. Além disso, esses visitantes podem se solidarizar com a causar e ajudarem a financiar o centro.

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AAP Primadomus, um santuário de diversas espécies

No caso do Primadomus, trata-se de um centro fundado por uma associação holandesa conhecida como AAP. Essa organização decidiu abrir um santuário de primatas no centro de Alicante. Afinal, ela considera a Espanha como uma porta de entrada para o tráfico ilegal na Europa. Especialmente, para a fauna de Marrocos e outros países do norte da África.

Este centro abriga todos os tipos de espécies e, embora seja especializado em primatas, também possui grandes felinos provenientes de circos. O centro funciona apenas como um centro de resgate. Por isso, a maioria dos animais são realojados em bons zoológicos que a própria ONG avalia.

Afinal, eles não podem ser liberados para a natureza. É dessa forma que o Primadomus pode continuar a resgatar outros animais.

Fundação MONA, um santuário de primatas com muita ciência

A Fundação MONA é um santuário de primatas especializado em chimpanzés que possui poucos animais. Em virtude disso, eles têm excelentes condições. Localizado perto de Girona, é um refúgio para antigas estrelas de cinema e vítimas do tráfico ilegal, fundado pela veterinária Olga Feliu.

O centro, fundado há mais de 15 anos, tem uma forte atividade de pesquisa em favor da conservação e compreensão desses animais. Eles oferecem cursos em primatologia todos os anos. Além disso, dedicam parte de suas energias ao ativismo para proteger esses animais.

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Como posso ajudar santuários de primatas?

Em todos esses centros, é possível fazer uma visita guiada que lhe permitirá conhecer as consequências e histórias sobre o tráfico de animais silvestres. Além disso, você ajudará o centro a se manter.

Filhote de chimpanzé

Ao contrário dos zoológicos, esses centros são visitados por meio de pequenos grupos guiados. Isso permite que os animais vejam poucas pessoas diariamente e não fiquem estressados.

Embora todos tenham uma enorme equipe humana dando apoio, eles precisam da ajuda de voluntários. Nos três santuários, existem programas de voluntariado para aqueles que querem ajudar nas tarefas de limpeza e alimentação dos animais.

Você também pode patrocinar qualquer um de seus moradores e fazer doações. Além disso, você mesmo pode trazer alguns objetos que podem ser usados como enriquecimento ambiental para os animais. Isso ajudará esses santuários a darem uma vida melhor aos primatas vítimas da ação humana.

O trabalho desses centros nos lembra que ainda há esperança de nos reconciliar com animais selvagens. Em particular, com nossos primos, primatas não humanos.