O segredo da regeneração no mundo animal

A regeneração em animais é uma fonte contínua de pesquisas em todo o mundo. Aqui, vamos contar como isso acontece e mostrar alguns casos na natureza.
O segredo da regeneração no mundo animal

Última atualização: 26 Fevereiro, 2021

A regeneração é um mecanismo fascinante e pouco conhecido no mundo animal. Em um sentido puramente biológico, todas as coisas vivas se regeneram, até mesmo os humanos. Afinal de contas, a cicatrização de uma ferida é o que senão uma regeneração? Todas as espécies são capazes de realizar em certa medida esse processo, até mesmo as bactérias mais básicas.

O processo regenerativo é definido como renovação, restauração ou crescimento de genes, células, órgãos ou organismos a um estado anterior após um episódio destrutivo.

  • A regeneração é completa quando o tecido substituto tem as mesmas propriedades daquele perdido na ferida ou amputação.
  • A regeneração é incompleta quando o tecido substituto é de uma natureza diferente daquela perdida. Nesse caso, o tecido conjuntivo substitui o parênquima normal.

Agora que o conceito já foi bem introduzido, encorajamos você a se juntar a nós em uma revisão da regeneração na natureza.

Como acontece?

A terminologia usada para explicar a regeneração animal é complexa e densa, por isso tentaremos resumi-la em termos simples.

Vamos discutir dois tipos básicos de regeneração com exemplos:

  • As salamandras são consideradas as rainhas desse processo. Por exemplo, elas podem regenerar tecidos oculares destruídos, como a retina e as lentes. A íris dorsal desses animais regenera as lentes, gerando células específicas para isso. Não importa onde esse tecido seja colocado: sua função continuará a ser regenerar uma lente. Por isso se diz que são tecidos regenerativos unipotentes e restritos .
  • No caso das planárias, por exemplo, se cortarmos um pedaço de seu corpo, ele se regenerará inteiramente. Aqui, os tecidos regenerativos são considerados pluripotentes, pois podem dar origem a todos os tipos de células necessárias para formar o segmento que falta.

Uma ideia deve ficar clara: o ponto-chave são as células-tronco. Essas células têm duas capacidades essenciais:

  1. Elas podem se dividir continuamente, gerando novas células.
  2. À medida que se dividem, podem se especializar em diferentes funções.

A informação genética do ser vivo codifica o destino dessas células pluripotentes, e elas se diferenciam e se agrupam nas diferentes estruturas necessárias.

Agora que esses termos complexos já estão um pouco mais claros, vamos mergulhar nesse assunto com alguns exemplos fascinantes do mundo animal.

Planária vista no microscópio.
A planária é um dos animais mais estudados em termos de regeneração tissular.

Salamandras: as rainhas da regeneração

Já apresentamos algumas qualidades regenerativas desses simpáticos anfíbios antes, mas seu potencial vai muito além.

Esses pequenos animais têm capacidades regenerativas nas pernas, no rabo, na medula espinhal, no cérebro, na mandíbula, no coração e em partes dos olhos.

Quando uma salamandra perde uma extremidade, uma massa de células chamada blastema está localizada no toco e, a partir dela, é criada uma extremidade nova e totalmente funcional. Animais adultos “recrutam” fibras músculo-esqueléticas do toco que dará origem ao membro perdido após um tempo.

Portanto, não é surpreendente encontrar na natureza tritões e salamandras com uma perna menor que a outra. Essas partes estão se regenerando, possivelmente se recuperando de um ataque de predador.

Mais exemplos de regeneração no mundo animal

  • O tetra-cego, Astyanax mexicanus, é capaz de regenerar o tecido do coração após algum dano. Isso se deve a três áreas específicas em seu genoma.
  • As estrelas-do-mar são um exemplo famoso. Elas são capazes de regenerar as extremidades que se separam do disco central que as compõe. Se formos além, o processo inverso pode ocorrer: um braço amputado pode gerar um indivíduo inteiro.
  • Os pepinos-do-mar são capazes de regenerar vários órgãos internos em curtos períodos de tempo. Essa é uma estratégia vital essencial para o animal, já que como método de defesa ele expulsa vários de seus órgãos contra seus predadores.
  • O anfíbio Ambystoma mexicanum, ou axolotle, um parente próximo das salamandras e é ainda mais eficiente do que elas na autorregeneração. Cada vez que um membro é amputado, ele o substitui criando uma cópia quase exata. Por esse motivo, é a espécie com maior quantidade de estudo no que diz respeito a esse assunto.
Axolotle mexicano: informações.
O axolotl é um anfíbio com impressionantes capacidades regenerativas.

Um processo fascinante com utilidade humana

A investigação do fenômeno da regeneração no mundo animal não é motivada apenas pela busca de conhecimento. Os cientistas esperam que, ao descobrir os pontos principais desse fascinante processo, muitas doenças degenerativas em humanos possam chegar ao fim.

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