Anjo-do-mar: um espetacular habitante da Antártica

O anjo-do-mar é um pequeno e lindo molusco que habita as águas frias do Oceano Antártico. Suas características nos fazem pensar em um ser de outro planeta.
Anjo-do-mar: um espetacular habitante da Antártica

Última atualização: 28 Abril, 2021

As águas geladas do oceano que banham o polo sul abrigam uma diversidade espetacular de vida marinha. As adaptações dos animais ao frio ao longo da evolução deram origem a seres tão bonitos como a espécie Clione antarctica, conhecida em inglês como “sea angel” (anjo-do-mar).

Apesar de seu tamanho minúsculo, esse animal, situado no início da cadeia alimentar, tem uma estratégia defensiva espetacular. Embora não seja uma espécie popularmente conhecida, os cientistas têm se sentido muito atraídos por ela, seu modo de vida, de locomoção e de alimentação. A seguir, vamos falar mais sobre a espécie Clione antarctica.

Clione antarctica: características

Clione antarctica é uma lesma marinha, um molusco gastrópode da família Clionidae. Com comprimento entre 1 e 3 centímetros, esse pequeno animal tem um papel fundamental na cadeia alimentar.

Seu corpo é transparente, o que permite observar seu trato digestivo, de uma cor laranja muito marcante. Uma das características de mais destaque desse molusco é que ele possui um par de asas em ambos os lados da boca.

Na verdade, essas asas nada mais são do que uma modificação do pé – que normalmente permite a movimentação dos caramujos – para conseguir viver em mar aberto. A boca desse animal é cercada por tentáculos que facilitam a difícil tarefa de caçar, manter sua presa e impedir que ela escape.

Os anjos-do-mar são animais hermafroditas e põem ovos que são lançados em mar aberto onde, após vários dias, eclodem como larvas muito pequenas. Eles têm 2 momentos-chave para se reproduzir, um na primavera e outro no verão.

Um anjo-do-mar em um fundo preto.

Habitat do anjo-do-mar

O anjo-do-mar vive nas águas frias e polares do hemisfério sul. No passado, acreditava-se que outra espécie de anjo-do-mar, chamada Clione limacina, tinha uma distribuição bipolar, mas agora se sabe que são duas espécies distintas.

É um animal pelágico, ou seja, vive na coluna d’água que não se encontra sobre a crosta continental, o que se conhece como mar aberto. Dentro dessa coluna d’água, a espécie Clione antarctica tem uma localização superficial ou média, ou seja, é um organismo epipelágico ou mesopelágico.

Os animais pelágicos se encontram entre 0 e 200 metros de profundidade, vivem na área da coluna d’água onde a luz atinge sem problemas e a fotossíntese das pequenas algas é possível.

Por outro lado, a zona mesopelágica compreende a partir de 200 metros até 1000 metros, aproximadamente. É um local escuro e não é possível realizar fotossíntese nessas condições.

Esse pequeno carnívoro vive em toda a região da coluna d’água. Portanto, ele pode viver em áreas onde não há plantas.

Alimentação de Clione antarctica

O anjo-do-mar (Clione limacina) — e em geral todas as espécies pertencentes a esse gênero — desempenham papéis muito importantes dentro do ecossistema em que habitam.

O alimento exclusivo do anjo-do-mar é a Limacina antarctica, uma espécie de caramujo marinho com concha e asas. O que faz esse animal sobreviver nessas águas frias é a sua capacidade de reter lipídios das presas que captura.

Na verdade, esse invertebrado é capaz de sobreviver por cerca de 6 meses sem comida. Embora seu movimento se torne mais lento, é exatamente o tempo de que precisa para superar as épocas mais frias.

Defesa do anjo-do-mar

Apesar de fazer parte do zooplâncton, esse animal não possui muitos predadores. Isso porque ele é capaz de sintetizar um tipo substância dissuasora de peixes chamada pteroenona.

Esse composto químico impede que os peixes se aproximem desses animais. Seu principal predador é a água-viva Diplulmaris antarctica, também uma pequena habitante do Oceano Antártico.

Um pequeno anjo-do-mar.

Como vimos, embora não seja um animal muito popular, o anjo-do-mar é uma espécie de lesma bem conhecida no meio científico. No entanto, não foi possível descobrir seu estado de conservação ou como essa espécie pode ser afetada pelas mudanças climáticas.

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