Aranha-golias : habitat e características

A aranha-golias é capaz de se alimentar de cobras venenosas, como as jararacas-do-norte (Bothrops atrox), uma parente próxima da espécie Bothrops asper.
Aranha-golias : habitat e características

Última atualização: 12 Setembro, 2021

A aranha-golias, ou aranha-golias-comedora-de-pássaros ou tarântula-golias, é um invertebrado reconhecido por ser um dos maiores que existem. Na verdade, esse aracnídeo ficou famoso há muito tempo, devido a um vídeo em que um exemplar se alimentava de um beija-flor, razão pela qual é conhecido como “comedora-de-pássaros”. Embora esse comportamento seja raro, seu tamanho o ajuda a lidar com presas pouco comuns.

Esse aracnídeo pertence ao grupo dos terafosídeos, cujas colorações costumam ser opacas ou escuras, e também compartilham características com as demais tarântulas que habitam o mundo. Especificamente, nessas linhas nos referimos a Theraphosa blondi, um gigante peludo que vai surpreender você. Continue lendo para aprender mais sobre esse invertebrado.

Habitat da aranha-golias

Esses aracnídeos estão distribuídos por toda a América do Sul, sendo abundantes na Guiana Francesa, no Suriname, no Brasil e na Venezuela, que compõem parte da Amazônia. O habitat natural da espécie está localizado em áreas pantanosas com vegetação de selva, abundantes nessa região equatorial. Por ser um organismo terrestre, a vegetação serve de refúgio e lhe permite estar à procura de suas presas.

Características da aranha-golias

O corpo dessa aranha é dividido em duas partes bem diferenciadas: prossoma e opistossoma. A região frontal ou prossoma, que é uma fusão entre a cabeça e o pescoço, é o local onde todas as extremidades estão inseridas. Por outro lado, o abdômen ou opistossoma costuma ser mais proeminente, e é aqui que se localizam as glândulas de seda que lhe permitem tecer sua teia.

Esse enorme invertebrado possui um dos maiores tamanhos de aracnídeos, podendo atingir até 18 centímetros de comprimento com seu corpo. No entanto, isso parece pequeno quando comparado aos quase 30 centímetros de comprimento que pode atingir se medido de uma perna à outra. Além disso, atualmente, essa espécie é a que detém o recorde do Guinness de “a maior aranha do mundo”.

Uma característica particular desse organismo é que possui uma grande quantidade de pelos ao longo do corpo, pois, apesar de ter olhos, sua visão é reduzida. Esses filamentos funcionam como sensores que lhe permitem detectar o menor movimento, facilitando sua caça. Por outro lado, a cor de sua pele pode variar entre tons de marrom-escuro e marrom-claro.

Uma aranha-golias.

Tem apenas 8 patas

Pode haver muita confusão quanto ao número de patas desse animal, já à primeira vista esse aracnídeo parece possuir 10 patas. Porém, os 2 primeiros membros não são locomotores, servindo como “mãos” que lhe permitem agarrar diferentes coisas.

Além disso, se formos muito específicos, pode-se dizer que os terafosídeos possuem 12 extremidades no total, que, partindo da boca para trás, estão dispostas da seguinte forma:

  • Quelíceras: são 2 e servem para injetar veneno e paralisar suas vítimas. São encontradas logo após a boca e também atuam como uma arma de proteção.
  • Pedipalpos: também existem 2, mas, ao contrário dos anteriores, parecem um par normal de patas, só que mais curtas. Esses membros servem quase como mãos para agarrar suas presas e desempenham um papel importante na reprodução.
  • Patas locomotoras: são as “patas verdadeiras”, que consistem nos 4 pares habituais dentro do grupo de aranhas. Todos eles ajudam esse animal a se mover, e o último par está inserido pouco antes de o prossoma terminar.

Caráter e comportamento

As aranhas-golias são organismos solitários que vivem escondidos em tocas, ficando mais ativas à noite. Na verdade, embora esses aracnídeos sejam considerados agressivos, eles só atacam quando a ameaça ignora seus avisos. Seu sinal consiste em uma estridulação produzida pela fricção das patas no abdômen, alertando para sua presença e perigo.

Veneno de aranha-golias

Embora as tarântulas em geral tenham má reputação por serem muito venenosas, a realidade é que poucas são perigosas para os humanos. Apesar disso, sua picada ainda é bastante dolorosa, devido ao tamanho das quelíceras (2 a 4 centímetros). No entanto, os efeitos do veneno dessa espécie podem ser semelhantes à picada de uma simples vespa.

Além disso, longe de seu tamanho grande e sua aparência feroz, as toxinas produzidas por esses aracnídeos podem ser usadas para fins médicos. Especificamente, o veneno da aranha-golias pode ter efeitos terapêuticos, já que um de seus componentes funciona como uma paralisia.

Alimentação da aranha-golias

Embora sua fama a tenha deixado conhecida como uma “aranha comedora de pássaros”, esse invertebrado não têm essas espécies como presas usuais. Sua dieta é, na verdade, baseada em sapos, lagartos, pequenas cobras e insetos, com morcegos e alguns pássaros sendo as presas mais raras da lista.

Além disso, alguns consideram que essa espécie é mais oportunista, pois busca obter o melhor benefício com o menor custo de energia. Vários trabalhos científicos evidenciam esse comportamento, em que exemplares da aranha-golias aproveitam as armadilhas preparadas pelos pesquisadores para fazer um banquete. Algumas vítimas desses eventos foram pássaros e cobras.

Reprodução da aranha-golias

Para realizar o acasalamento, o macho deve seguir uma série de passos para conseguir cortejar a fêmea, pois corre o risco de ser comido por ela. É por isso que ele começa acenando de longe, levantando e abaixando seus pedipalpos ou batendo no chão com força, em um mecanismo conhecido como drumming.

Assim que consegue a atenção da fêmea, o macho começa a mover seu corpo, quase como se estivesse vibrando, o que parece ser necessário para se reconhecer entre espécimes do sexo oposto. Isso funciona para não acasalar com outras espécies, porque, como esses animais não têm outra pista além de sua boa sensibilidade, eles usam isso em seu proveito, desenvolvendo esse mecanismo sutil.

Se a fêmea aceitar a cópula, ela responderá com leves batidas entre as patas, que também indicarão ao macho sua localização e distância. Com isso, o casal inicia o acasalamento com a aproximação e o macho levanta um pouco a fêmea, revelando seu abdômen. Ele faz isso para que possa inserir seu esperma no oviduto, utilizando ambos os pedipalpos.

Oviposição e incubação de ovos

Quando o complexo ritual de acasalamento termina, o macho foge o mais rápido possível, porque a fêmea pode escolher comê-lo. Em qualquer caso, isso acontece apenas em algumas ocasiões, já que a nova mãe se encontra em um estado cataléptico e imóvel.

Depois de alguns dias, por ser uma espécie ovípara, a mãe depositará cerca de 150 ovos, que ela embrulhará em um saco de seda e os esconderá em sua toca. A fêmea passa a se comportar de forma mais agressiva para defender seus filhotes, que levarão entre 6 e 8 semanas para eclodir.

Estado de conservação

Atualmente, a aranha-golias não faz parte das espécies ameaçadas de extinção, porém, isso se deve principalmente à falta de informações. Além disso, é fato que seu habitat está em risco, já que a Amazônia é um dos locais com maior pressão ecológica devido à sua destruição.

Além disso, a maioria dos terafosídeos enfrenta um sério problema com o comércio ilegal, uma vez que eles são facilmente encontrados nos mercados locais. Segundo alguns especialistas, esse fator pode não representar um grande risco, pois o sucesso reprodutivo desses organismos é muito alto. No entanto, a soma de vários fatores pode acabar condenando esses invertebrados.

Existem vários usos tradicionais para as quelíceras das aranhas-golias. Por exemplo, no estado de Alagoas, no Brasil, elas são usadas para tratar erisipela. Além disso, as fêmeas são comidas grelhadas em certos rituais locais.

Alguns animais têm uma aparência feroz que causa pânico e medo infundado. Por isso, a sociedade passa a rejeitá-los, embora eles possam proporcionar variados benefícios. As aranhas-golias são o exemplo perfeito, pois, apesar de sua aparência, seu perigo é quase nulo e apresentam um futuro promissor no campo científico.

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