Ciclo de vida das abelhas

O ciclo de vida das abelhas é diferente de acordo com a casta a que cada indivíduo pertence. Se você quiser saber as diferenças entre as castas, confira mais informações aqui!
Ciclo de vida das abelhas

Última atualização: 17 Agosto, 2021

O ciclo de vida das abelhas está diretamente relacionado à sobrevivência na colmeia e à passagem das estações. Sua enorme complexidade como sociedade também se aplica à própria existência de cada um desses insetos como indivíduos.

As abelhas melíferas são animais eussociais, ou seja, são incapazes de viver em solidão e apenas uma parte muito específica da comunidade é capaz de se reproduzir. Nas colmeias, as tarefas são divididas entre as diferentes castas. Se você quiser saber mais sobre como é a vida desses incríveis insetos, encontrará mais informações a seguir.

Ciclo de vida da colmeia

As abelhas-europeias (Apis mellifera) não interrompem a sua atividade em nenhuma época do ano, mas a primavera é a época mais produtiva, tanto para o trabalho quanto para a reprodução. Com a chegada de boas temperaturas, o aumento das horas de luz e das chuvas, a vegetação floresce e, com ela, o trabalho das abelhas aumenta exponencialmente.

Embora no inverno também seja possível ver abelhas em dias especialmente quentes, é normal que elas passem a estação fria dentro da colmeia, alimentando-se do mel que produziram na primavera e no verão.

Quanto à reprodução, o normal é que as novas abelhas só comecem a nascer no final de abril. Em áreas mais quentes, o aumento populacional pode começar no final do inverno, mas nunca atingirá seu pico antes do degelo, se for o caso.

 

 

Colmeias de abelhas grandes.

Desenvolvimento individual das abelhas

O ciclo de vida das abelhas é holometábolo, um termo aplicado a espécies de insetos que se desenvolvem em 4 estágios. No caso das abelhas, o ciclo é o seguinte:

  • Ovos: as rainhas podem pôr ovos fertilizados, dos quais nascerão operárias ou futuras rainhas, ou não fertilizados, dos quais nascem os machos (zangões). Os ovos são depositados nas células da colmeia e, dependendo do indivíduo que vai nascer, levam entre 14 e 24 dias para eclodir.
  • Larvas: alimentadas pelas operárias, as larvas permanecem em suas células até atingirem o tamanho necessário para a pupa.
  • Pupa: durante essa fase, a abelha se desenvolverá em sua forma adulta dentro de sua cápsula. Nessa fase, ela permanece inativa e não se alimenta.
  • Imago ou idade adulta: em sua fase final, a pupa finalmente se definirá como a casta que lhe corresponde, seja operária, zangão ou rainha, se tiver sido alimentada para esse fim.

As abelhas são himenópteros eussociais que se dividem em castas de acordo com sua funcionalidade e capacidade reprodutiva.

Ciclo de vida da abelha-rainha

O ciclo de vida das abelhas-rainhas pode durar até 4 anos. Seu nascimento ocorre quando a colmeia está madura o suficiente para dar origem a outra colônia em um local diferente. Isso depende do tamanho da colmeia e do número de indivíduos adultos presentes nela.

Quando chega esse momento, as operárias começam a alimentar várias larvas de operárias com pura geleia real (as operárias a consomem ocasionalmente, mas misturada com pólen) ao longo de seu desenvolvimento. Essa substância estimula o crescimento das larvas, mais do que as que vão ser operárias ou zangões.

Chega um ponto em que a larva de rainha fica grande demais para sua célula, mas a geleia real também tem uma função de fixação. Sua textura viscosa adiciona superfície às bordas da cavidade.

Aos 14 dias, a rainha emerge de sua célula quebrando a pupa e depois de alguns dias ela sai para acasalar e formar uma nova colmeia. Para isso, fará a chamada dança nupcial, com a qual atrairá zangões de outras colmeias. Depois de fertilizada, ela vai procurar um lugar para começar a construir sua própria sociedade.

Ciclo de vida das abelhas-operárias

As abelhas-operárias constituem a maior parte dos indivíduos em uma colmeia e, em média, há 30 000 indivíduos em cada colmeia. No inverno, elas podem viver até 4 meses, mas o desgaste do frenesi da primavera significa que nessa temporada elas não viverão mais do que um mês e meio de vida.

É uma casta infértil que realiza todas as tarefas da colmeia, exceto a reprodução. Essas atividades são divididas de acordo com a idade da abelha, contando a partir do momento em que emergem da pupa. Resumimos os estádios na seguinte lista:

  • Dias 1-3: limpeza das células e acomodação dos ovos.
  • 3-6 dias: alimentação das larvas mais maduras.
  • Dias 6 a 10: alimentar as larvas mais novas, o que é mais difícil porque são mais frágeis.
  • 8 a 16 dias de idade: recepção de pólen de abelhas forrageadoras.
  • Dias 12-18: confecção da cera e construção das células que formam o favo de mel.
  • Dia 14 em diante: exploração, busca de néctar e pólen e defesa da colmeia.

Muitos etologistas atribuem esse comportamento desinteressado à kin selection, ou seleção de parentesco. Como a rainha é parente direta das operárias, é do interesse delas mantê-la viva para que ela se reproduza e continue a disseminar seus próprios genes, ainda que indiretamente.

Zangões

Por último, os zangões são as abelhas machos, que eclodem dos ovos não fertilizados postos pela rainha. Eles carregam metade da informação genética em comparação com as operárias e a rainha e sua produção tem início algumas semanas antes de a colmeia começar a criar novas rainhas.

Como sua única função é a reprodução, assim que saem da pupa, os zangões se afastam da colmeia, aguardando as danças nupciais das abelhas-rainhas da redondezas. Dessa forma, um mínimo de variabilidade genética é preservado quando novas colônias são criadas.

Depois de acasalar, os zangões morrem. Se permanecerem na colmeia, mas não conseguirem se reproduzir, serão expulsos antes do inverno, pois nessa época nenhum novo indivíduo é criado e o indivíduo representaria um desperdício desnecessário de recursos.

 

Uma abelha em sua colmeia.

As abelhas são puro fascínio, independentemente de como você as enxergue. Desde sua capacidade de calcular ângulos em relação ao Sol até a perfeição geométrica de suas casas, cada nova descoberta é mais maravilhosa que a anterior. Quem poderia imaginar que haveria tantas coisas por trás daqueles pequenos seres esvoaçantes entre as flores?

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  • How Honeybees Defy Gravity with Royal Jelly to Raise Queens. (2018, 2 abril). ScienceDirect. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0960982218302070
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  • Calderone, N. W. and Page, Jr, R. E. 1988. Genotypic variability in age polyethism and task specialization in the honey bee, Apis mellifera (Hymenoptera: Apidae). Behavioral Ecology and Sociobiology, 22: 17 – 25.