Quais são as diferentes espécies para conservar a biodiversidade?

março 4, 2020
O uso de espécies para conservar a biodiversidade está sujeito a algumas dificuldades. Neste artigo, oferecemos uma breve introdução ao tema.

O uso de espécies para conservar a biodiversidade está em vigor há anos, mas sua eficácia é posta em dúvida por especialistas. Por quê? Será que nem todas as espécies são igualmente úteis para esta finalidade?

Espécies para conservar a biodiversidade: quais são as diferenças entre elas?

Espécies guarda-chuva para conservar a biodiversidade

São as espécies mais utilizadas na conservação, uma vez que protegê-las significa proteger indiretamente muitas outras que coabitam em seu mesmo ecossistema. Geralmente são espécies importantes e com necessidades que abrangem um amplo campo. Uma potencial área de reserva pode ser selecionada através dessas espécies.

O termo foi usado pela primeira vez por Bruce Wilcox em 1984, e tem estado em discussão desde então. Alguns especialistas consideram essas espécies extremamente úteis para a conservação da biodiversidade. Entretanto, outros consideram que uma combinação de espécies menores, como os invertebrados, pode ser mais útil.

A maioria das espécies guarda-chuva estão incluídas na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Isso significa que possuem o status de ameaçadas ou em perigo de extinção. Portanto, a sua proteção inclui a conservação de seus habitats.

Na Espanha, uma das principais espécies guarda-chuva é o urso-pardo, uma vez que suas necessidades ecológicas são muito amplas. Por isso, a proteção dessa espécie favorece a conservação de toda a região em que ela se movimenta.

Espécies para conservar a biodiversidade: urso-pardo

Espécie bandeira

São enquadradas nessa categoria as espécies carismáticas o suficiente para serem um símbolo de proteção da natureza, com o objetivo de capturar a atenção dos cidadãos e do governo. Isso faz com que seja mais fácil levantar fundos para proteger essa espécie e outras relacionadas, mas menos atraentes. Afinal, em muitos casos, elas compartilham o mesmo ecossistema.

Os mamíferos são as espécies mais usadas para esse fim, uma vez que são os animais mais conhecidos e coloridos. Sendo assim, eles conseguem despertar uma maior empatia no ser humano.

Espécies-bandeira são espécies usadas para conservar a biodiversidade
Fonte: http://www.naturalezacantabrica.es/

Elas podem representar um ecossistema, mas também podem exemplificar um problema ecológico. Um exemplo é o uso de grandes tartarugas marinhas para destacar o problema da poluição por plástico no oceano.

Algumas dessas espécies representam organizações globais de conservação, como o urso panda da WWF.

Espécie indicadora

É uma espécie que representa perfeitamente uma característica do ambiente. Sua presença, ausência ou abundância reflete uma situação específica do ecossistema onde habita. Elas são usadas, por exemplo, para delimitar uma região, pois pode haver uma espécie que ocorre exclusivamente em uma determinada área.

Entretanto, o uso mais importante dessas espécies para a conservação é o monitoramento do estado de um ecossistema. Nesse caso, as espécies indicadoras podem ser as mais sensíveis a uma característica ambiental. Portanto, são usadas como sinal de alerta do nível de degradação ambiental. Os líquens, por exemplo, são utilizados há muito tempo como indicadores de qualidade do ar.

Líquens são espécies bioindicadoras da qualidade do ar

As espécies indicadoras podem nos ajudar a conhecer o estado de uma variável ambiental, delinear uma ecorregião, encontrar um surto de uma doença ou monitorar as mudanças climáticas.

Espécies-chave

É aquela espécie cujo impacto em seu ecossistema tem um efeito desproporcional em relação à sua abundância. Em geral, sua presença afeta diretamente o restante dos organismos que habitam no local. Dessa forma, um determinado ecossistema pode entrar em colapso na ausência das espécies-chave.

Um exemplo característico é a relação predador-presa. A presença de um predador em particular impede que uma população herbívora abundante destrua a flora de um determinado ecossistema.

Outro exemplo são os animais considerados engenheiros, porque modificam seu ecossistema de forma muito evidente. Esse é o caso dos elefantes que, em seu caminho, destroem árvores e abrem espaço para animais que vivem em rebanhos. Sem eles, a savana africana se tornaria uma floresta e desapareceria.

Espécies de elefantes

Problemas relacionados às espécies para conservar a biodiversidade

O uso dessas espécies pode acabar monopolizando a atenção dos conservadores. Os ambientalistas podem agir para protegê-las em detrimento de espécies menos carismáticas que podem estar ameaçadas.

Um exemplo é a proteção da rã-verde para a conservação de pântanos semipermanentes. Não é um animal que desperte empatia entre o público. Por isso, quando se trata de desenvolver um plano de conservação, outras espécies mais marcantes são priorizadas.

Sendo assim, as espécies bandeira são as escolhidas, embora idealmente as espécies guarda-chuva devessem ser priorizadas. Entretanto, essa é uma estratégia para despertar o interesse da população não apenas por um animal, mas por um ecossistema inteiro.

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