O Macaco Nu de Desmond Morris

Apesar de sua polêmica visão sexual, a obra é uma das grandes referências da zoologia contemporânea.

Última atualização: 02 Fevereiro, 2021

Desmond Morris, nascido em 28 de janeiro de 1928 no Reino Unido, é um dos mais renomados zoólogos e etólogos do século XX. A publicação de sua obra O Macaco Nu, em 1967, foi um dos pontos altos de sua carreira profissional.

O Macaco Nu, conhecido como The naked ape em sua versão original, é um dos livros de evolução humana mais famosos do século passado. Junto com A Origem, de Charles Darwin, publicado em 1859, essa obra tentou mostrar a forte ligação entre os macacos e o homem.

Tanto nessa como em outras de suas publicações, Morris apresentou ideias firmes sobre os primórdios do ser humano, sua vida sexual e seu alto poder imaginativo. Essas abordagens controversas, dadas as circunstâncias do momento, por sua vez, representaram um marco na percepção científica e popular.

Sinopse de O Macaco Nu

Adotando uma estrutura totalmente etológica, grande parte desse livro relaciona os hábitos do ser humano atual com aqueles praticados por seus ancestrais. Dessa forma, o estilo de alimentação, a criação ou a rivalidade seriam baseados no passado caçador-coletor do homem.

Além disso, o autor enfatiza a grande capacidade do ser humano de explorar e vivenciar o pensamento de forma criativa. Essas faculdades, praticamente inexistentes em outros animais, marcaram uma trajetória de pinturas, escritos, danças e jogos, fundamentais na formação da sociedade atual.

É importante destacar que Morris, além de se formar em zoologia pela Universidade de Birmingham, foi um importante pintor surrealista. Ele expôs seu trabalho ao lado de personalidades como Joan Miró, ao mesmo tempo que contribuía para a expansão do movimento surrealista britânico. Tudo isso influenciou, em certa medida, a valorização criativa que o autor fez do ser humano ao longo de sua obra.

A condição neotécnica do homem responsável pela preservação dos traços juvenis para além de sua maturação sexual permitia, entre outras coisas, a presença de um cérebro mais desenvolvido. Essa peculiaridade humana, junto com sua lenta ontogênese, dentro dos primatas, e sua onivoria, são algumas das questões evolutivas que marcam o curso do ensaio.

Controvérsia passada e atual

Apesar da grande aceitação do trabalho, dadas as boas doses de humor com que o autor acompanhou suas dissertações científicas, O Macaco Nu também gerou polêmica.

A publicação em plena Guerra Fria, com o pensamento sociopolítico e econômico-tecnológico do momento, dificultou a aceitação de grande parte das hipóteses mencionadas. A faceta expressiva, a questão sexual e, sobretudo, o vínculo do ser humano com os macacos, foram propostas atemporais vistas como uma provocação.

No entanto, alguns críticos atuais que avaliam as ideias levantadas na obra também mostram certas discrepâncias, em grande parte atribuídas ao lapso de tempo.

Para Morris, a atual monogamia típica das sociedades desenvolvidas tem sua origem nos comportamentos sexuais característicos da pré-história. Assim, o autor ignorou todas as sociedades africanas e asiáticas caracterizadas por adotar a poliginia como prática comum. Além disso, deve-se destacar que a monogamia não é a prática mais difundida entre os primatas.

No que diz respeito à sexualidade, o livro cita textualmente “a formação do vínculo homossexual é inconveniente…”. Para Morris, a homossexualidade surge quando o ser humano por algum motivo não tem acesso sexual a indivíduos do sexo oposto e vê a necessidade de satisfazer esses desejos. Essa reflexão tem sido uma das mais criticadas e, provavelmente, o autor a defendeu com base na repressão sexual do século passado.

O impacto de O Macaco Nu foi tal que levou à sua sequência de 2004, A Mulher Nua. Nessa última obra, Morris analisa evolutivamente as mudanças físicas e comportamentais nas mulheres, sem renunciar ao seu lado artístico.

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