O maior anfíbio urodelo da Europa

Conheça a salamandra-de-costelas-salientes, um dos anfíbios urodelos mais chamativos e o maior da Europa.
O maior anfíbio urodelo da Europa

Última atualização: 05 Março, 2021

Alguns animais parecem recém-saídos do Triássico. Seus aspectos ancestrais, somados aos seus costumes arcaicos, evocam os dinossauros que outrora povoaram a terra. É o caso do Pleurodeles waltl, ou salamandra-de-costelas-salientes, o maior anfíbio urodelo da Europa.

Você conhece as características desse vertebrado primitivo? Sabe quais são seus curiosos métodos de defesa? Se você quiser saber mais sobre esse animal fascinante, continue lendo.

Um anfíbio com características ancestrais

Como já adiantamos, o animal que vamos apresentar hoje é o Pleurodeles waltl, um anfíbio urodelo da família Salamandridae, a mesma família à qual pertence sua colega mais famoso, a salamandra-comum.

Algumas das características morfológicas e ecológicas dessa espécie foram coletadas em portais profissionais. Aqui, resumimos algumas delas:

  • É uma espécie muito grande para ser um anfíbio, já que os machos podem atingir mais de 30 centímetros de comprimento.
  • A cauda representa cerca de 50% do comprimento corporal do indivíduo adulto e é comprimida lateralmente, perfeita para o impulso natatório.
  • Possui uma cabeça muito achatada dorsoventralmente, com olhos pequenos.
  • Tem uma série de pontos alaranjados nas laterais, cuja função veremos mais adiante.
  • Sua coloração geral é acinzentada, com verrugas distribuídas por todo o corpo.

Fora da água, esses vertebrados nos lembram os primeiros animais a se aventurarem no meio terrestre. Seu andar é desajeitado e lento, e eles pouco podem fazer diante de um predador que os persiga nesse ambiente.

Contudo, a situação muda no ambiente aquático, pois sua cauda em forma de remo os impulsiona com eficiência e rapidez, como se fossem torpedos submersos. A salamandra-de-costelas-salientes, sem dúvida, está completamente adaptada a uma vida quase exclusivamente aquática.

Por isso, pode ser observada em rios, riachos, corpos d’água temporários e até mesmo em construções aquáticas de uso humano (como bebedouros para o gado). Normalmente, os adultos só se aventuram fora da água em noites de chuva, quando a umidade relativa do ambiente fica bem elevada.

O maior anfíbio urodelo da Europa.

O maior anfíbio urodelo da Europa

Apesar de seu tamanho, esse anfíbio amigável pouco teria a fazer ao encontrar um predador se não tivesse métodos de defesa acessórios.

Afinal, a salamandra-de-costelas-salientes possui uma série de predadores bem documentados, como o javali (Sus scrofa) e várias espécies de aves típicas da paisagem mediterrânea.

Por isso, o maior anfíbio urodelo do mundo apresenta um método de defesa atípico e fascinante, que vamos explicar a seguir.

O animal que se defende com as próprias costelas

Nas primeiras linhas, mencionamos uma série de pontos alaranjados nas laterais do corpo do animal e que estão posicionados em linha. Por mais surpreendente que possa parecer, as costelas da salamandra-de-costelas-salientes se projetam de cada uma dessas protuberâncias quando o animal é incomodado.

É um método de defesa arcaico, pois as glândulas dessas manchas laranjas contêm veneno. Quando o Pleurodeles se sente ameaçado, ele contrai sua parede abdominal, expelindo as pontas das costelas para fora.

Essas estruturas, queratinizadas e mais longas do que as de qualquer outro anfíbio da família Salamandridae, estão envoltas pelo veneno produzido pelas glândulas. Isso permite que as toxinas sejam inoculadas na boca do predador, o que o incentiva a soltar sua presa.

Tamanha é a eficácia desse mecanismo que estudos mostram que a dose da toxina pode ser letal se inoculada em pequenos roedores. Felizmente, em humanos, não causa mais do que uma irritação moderada.

Como podemos ver, o maior anfíbio urodelo da Europa, além de ter conquistado esse título, apresenta um mecanismo de defesa ancestral excepcional entre os vertebrados.

De qualquer forma, esse mecanismo de defesa é a última linha entre a vida e a morte da salamandra-de-costelas-salientes, mas não a única. Sua coloração dorsal acastanhada com pontos pretos cumpre uma função críptica, permitindo que o animal passe despercebido nos fundos lodosos de lagoas e cursos de água.

Uma salamandra-de-costelas-salientes em uma pedra.

Um animal fascinante que devemos preservar

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) estima que essa espécie se enquadra na categoria de “Quase Ameaçada” (NT), pois acredita-se que suas populações estejam em declínio, embora inferior a 30%.

Alguns dos fatores que ameaçam a salamandra-de-costelas-salientes são a destruição do habitat, a introdução de espécies invasoras e as mudanças climáticas. É nosso dever como espécie preservar esses animais fascinantes (e, na verdade, todos os seres vivos), pois eles fazem parte da fauna global.

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  • Pleurodeles waltl, vertebradosibericos.com. Recogido a 11 de agosto en http://www.vertebradosibericos.org/anfibios/interaccion/plewalin.html
  • Macías, M., Green, A. J., & Sánchez, M. I. (2004). The diet of the Glossy Ibis during the breeding season in Doñana, southwest Spain. Waterbirds27(2), 234-239.
  • Heiss, E., Natchev, N., Salaberger, D., Gumpenberger, M., Rabanser, A., & Weisgram, J. (2010). Hurt yourself to hurt your enemy: new insights on the function of the bizarre antipredator mechanism in the salamandrid Pleurodeles waltl. Journal of Zoology280(2), 156-162.