Sapo-pingo-de-ouro: habitat e características

As primeiras descrições do sapo-pingo-de-ouro incluíam todos os organismos na mesma espécie. Com o surgimento das análises moleculares e biogeográficas, foi possível identificar a grande variedade de espécies diferentes abrigadas sob essa nomenclatura.
Sapo-pingo-de-ouro: habitat e características

Última atualização: 18 Junho, 2021

Pequeno, amarelo e tóxico. O sapo-pingo-de-ouro é um anfíbio de cor vistosa, habitante da Mata Atlântica, que se destaca por sua cor amarela, quase idêntica à de uma abóbora. Por esse motivo, também é conhecido pelo nome de ‘sapo abóbora’ ou pumpkin toadlets em inglês.

Embora possa parecer estranho, não existe apenas um tipo de sapo-pingo-de-ouro, pois 36 outras espécies já foram descritas, conforme indicam estudos no portal científico PLOS ONE. Todas são classificadas no mesmo gênero (Brachycephalus) e as diferenças se concentram na biogeografia da espécie e sua história natural.

É por isso que, neste espaço, vamos nos concentrar especificamente na espécie Brachycephalus ephippium. Continue lendo para conhecer esse lindo sapo e suas características mais marcantes.

Habitat do sapo-pingo-de-ouro

Esse peculiar anfíbio vive entre a serapilheira, arbustos, plantas e árvores, nas florestas do Atlântico. Especificamente, habita o leste do Brasil, onde seus domínios se estendem por quase 1700 quilômetros. Sua população costuma ser restrita, mas consegue ocupar áreas de até 100 hectares. Pode viver em altitudes que variam de 200 a 1900 metros acima do nível do mar.

Essa é uma espécie microendêmica, portanto, só pode ser encontrada em ambientes montanhosos e silvestres. Por isso, as populações ficam presas em ‘ilhas’ montanhosas que contêm todas as condições para sua sobrevivência, mas que estão rodeadas por vales inóspitos.

Foi isso que promoveu a especiação ou, em outras palavras, o fato de que mais espécies de sapo-pingo-de-ouro aparecessem a partir de apenas uma.

 

Características físicas

Esses minúsculos anfíbios têm cerca de 2 centímetros de comprimento e seu focinho medem quase 18 milímetros. O Brachycephalus ephippium também apresenta uma hiperossificação, relativa à ornamentação dérmica. Esse fenômeno lhe proporciona um escudo dorsal, algo semelhante a uma ‘placa’ na região das costas.

Em geral, esse sapo amarelo-alaranjado optou pela miniaturização. Como resultado, perdeu as falanges das mãos e alguns dos dedos dos pés não são funcionais. Além disso, como sua cabeça é mais larga do que comprida, seus olhos ficam um pouco salientes.

Também não podemos esquecer a espécie Brachycephalus rotenbergae, que tem a peculiaridade de brilhar sob a luz ultravioleta. Esse fenômeno parece estar relacionado à época de reprodução, embora ainda não exista uma conclusão sobre a utilidade desse mecanismo.

O sapo-pingo-de-ouro é venenoso?

O sapo-pingo-de-ouro segue a regra básica da cor e do veneno. Possui um tom amarelo vibrante para avisar aos predadores sobre sua toxicidade, ou seja, possui uma cor aposemática. Seu veneno é chamado de tetrodotoxina, uma neurotoxina poderosa capaz de causar parada cardíaca em vertebrados.

Alimentação e reprodução

Esse sapo é um organismo diurno que consome uma grande variedade de presas, em sua maioria artrópodes. Tem uma predileção por ácaros e colêmbolos, embora também coma algumas aranhas. As preferências dos anfíbios parecem estar relacionadas ao seu tamanho e habitat, uma vez que esses microinvertebrados são os grupos mais abundantes na serapilheira.

Por outro lado, é importante destacar que a época de reprodução é semelhante à de outros anfíbios. Prefere períodos chuvosos para acasalar, e os machos mantêm ativamente seu território por meio de vocalizações. Dessa forma, protegem sua área de forrageio, seus recursos e seus ovos.

Esses sapos usam a chuva para que seus ovos não sequem, pois são espécies com fecundação externa. Assim que a fêmea aceita o macho, ela põe seus óvulos e o macho os fertiliza com seus espermatozoides. É por isso que eles precisam realizar o amplexo, termo que descreve quando os machos abraçam a fêmea, para garantir que os ovos sejam fertilizados imediatamente após sua liberação.

A fêmea põe os ovos, que têm um diâmetro de aproximadamente 5,3 milímetros, em cerca de 30 minutos. Depois de fecundados, a fêmea os cobre com o solo para escondê-los e protegê-los. Isso também evita que os ovos sequem, pois podem levar até 64 dias para eclodir.

Estado de conservação do sapo-pingo-de-ouro

Felizmente, esse raro anfíbio não corre risco de extinção. De acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), é uma espécie pouco preocupante. No entanto, isso não significa que esteja isenta de qualquer perigo, já que as informações dessa espécie ainda são restritas.

De fato, à medida que as análises morfológicas avançam, novas espécies desse tipo de sapo são identificadas e reclassificadas.

Um dos motivos pelos quais devemos ter cuidado com essa espécie é seu status de microendemismo. Por serem habitantes de regiões muito específicas da natureza, a perda de seu habitat pode ser catastrófica. Essa falta de nicho pode causar sua extinção em um intervalo de tempo muito curto.

 

Um sapo-pingo-de-ouro de boca aberta.

Lembre-se de que as cores podem servir para alertar sobre um perigo iminente, nunca as subestime. Embora essa regra nem sempre seja verdadeira, nunca é demais levá-la em consideração. Da mesma forma, não manipule nenhuma espécie que você não conheça, principalmente se tiver essas cores coloridas.

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