Sardão: habitat e características

Lagartos ocelados são tão dependentes do clima e da temperatura que durante o inverno algumas populações sofrem uma diapausa. É um pouco semelhante à hibernação, mas não tão drástico.
Sardão: habitat e características

Última atualização: 07 Outubro, 2021

A aparência dos répteis costuma ser uma das mais peculiares dentro do reino animal, pois suas escamas lhes conferem cores e formas diferentes. Nesse sentido, o sardão se destaca por suas características cromáticas, uma vez que os padrões coloridos em seu dorso imitam a presença de olhos em todo o corpo.

O nome científico dessa espécie é Timon lepidus (sinônimo Lacerta lepida), um organismo com vários problemas em sua classificação. Na verdade, um dos grandes conflitos relatados hoje é a possível existência de várias subespécies, uma vez que sua distribuição geográfica tem causado confusão na comunidade científica. Continue lendo para aprender mais sobre esse curioso réptil.

Habitat e distribuição

O sardão se distribui pelo sudoeste da Europa, onde predominam os climas mediterrâneos. Isso inclui parte da Península Ibérica, sul da França e nordeste da Itália. Além disso, ele foi encontrado em regiões raras, como as dunas móveis de Doñana, as zonas intertidais galegas ou os picos dos Pirineus. Por esse motivo, é considerada uma espécie generalista com diversos habitats.

Os sardões podem viver tanto em áreas com grande número de árvores quanto em regiões desprovidas de vegetação. No entanto, a espécie possui um ecossistema preferencial, pois é abundante em áreas com densas florestas, falésias e arbustos. Dessa forma, apesar de isso não ser uma limitação, prioriza locais com vegetação com clareiras para se bronzear e locais para se abrigar.

Um lagarto ocelado se aquecendo ao sol.

Como é o sardão?

A aparência desse animal é robusta e vistosa e às vezes pode ultrapassar 345 gramas de peso e 24,2 centímetros de comprimento (sem cauda). Na verdade, como outros organismos em seu grupo, ele exibe escamas muito diferentes na cabeça e no dorso, o que diferencia a região da cabeça do resto do corpo.

Graças a esta última característica, é possível reconhecer um adulto, pois essas estruturas se deformam com a idade.

Os olhos desse lagarto têm pupilas redondas, que contrastam com a aparência ocular de outros répteis que têm pupila vertical. Da mesma forma, sua cauda representa mais de 50% do comprimento do corpo, que pode variar se for perdida por autotomia caudal. Nesse mecanismo de defesa, o lagarto amputa a cauda para escapar de predadores e, embora esta volte a crescer, não atinge seu tamanho original.

Por sua vez, a coloração desse animal varia de acordo com sua localização geográfica. Contudo, os padrões mantêm uma fusão amarelo-preto em suas costas. Além disso, alguns espécimes parecem ter círculos azuis-escuros desenhados, que parecem se assemelhar a “olhos” ou ocelos.

Dimorfismo sexual

Como na maioria dos animais, existem certas características que diferenciam os machos das fêmeas, o que é denominado dimorfismo sexual. Nesse caso, os machos têm cabeça mais larga, colorações mais brilhantes e tamanhos maiores. Além do mais, eles também têm poros femorais mais desenvolvidos que servem para marcar seus territórios.

Esses poros femorais também estão presentes no sexo feminino, porém, no sexo masculino são mais evidentes. Em última análise, essas estruturas servem para secretar substâncias durante o cio como sinais honestos para convencer o parceiro a copular.

Comportamento

Como são organismos ectotérmicos, esses répteis regulam sua temperatura corporal passando mais ou menos tempo ao sol. Por isso, esse lagarto precisa começar a se aquecer muito cedo, aguardando o nascer do sol para se bronzear. Ao ficar algum tempo exposto aos raios solares, aumenta sua atividade e velocidade, podendo escapar facilmente de seus predadores.

Em geral, esses répteis não são agressivos fora da estação reprodutiva, uma vez que os hormônios são considerados um poderoso gatilho para esse comportamento. Por essa razão, eles só se tornam territoriais e começam a lutar uns contra os outros durante o cio, embora seus conflitos geralmente não terminem em danos fatais.

Subespécies

As variações geográficas e climáticas são suficientes para que os animais se adaptem, mudem e causem o início de uma diversificação. No caso do sardão, graças à sua grande distribuição, podem ser encontradas algumas variedades que se distinguem pela área que habitam. Na lista a seguir, estão reunidas algumas subespécies descritas para esse réptil:

  • Timon lepidus lepidus: é encontrado no centro, no sudoeste e no nordeste da Península Ibérica, assim como no sul da França e no nordeste da Itália.
  • Timon lepidus iberica: com habitats em Galícia, Portugal, a oeste de León, a noroeste de Zamora e a oeste das Astúrias.
  • Timon lepidus nevadensis : só pode ser avistado no sudeste da Península Ibérica, especificamente em Sierra Nevada.
  • Timon lepidus oterol: restringe-se à ilha de Sálvora.

O que o sardão come?

A dieta dessa espécie é quase inteiramente baseada em insetos, porém, isso não restringe sua alimentação ou possíveis presas, pois costuma ser bastante flexível. Nesse sentido, pode-se dizer que seu cardápio depende em grande parte da disponibilidade de recursos, do tamanho, do sexo e da época do ano em que o espécime se encontra.

Mesmo assim, os sardões consomem um grande número de coleópteros, o que tem levado à sua especialização e adaptação a essas presas. Um artigo na revista científica Copeia descobriu que a estrutura e a quantidade de seus dentes eram evidências claras de seu favoritismo por esses invertebrados. Seus dentes devem ser capazes de quebrar e aproveitar cada parte desse inseto para se alimentar.

Reprodução

Em geral, esse lagarto é considerado um organismo ovíparo com reprodução anual na primavera. Durante esse evento, os machos ficam mais territoriais, demonstrando sua superioridade entre si por meio de seus tamanhos. Além disso, suas cores parecem mais brilhantes, pois será uma das características que as mulheres avaliam ao fazer sua escolha.

Por sua vez, o cortejo consiste em exibir sua aparência, assim como sua corpulência e suas cores vibrantes. Enquanto isso, a fêmea decide se aceita ou não o cortejo, fugindo do local se ela se recusar ou tornando-se submissa para iniciar o acasalamento se concordar. Dessa forma, o macho passa a morder o flanco da parceira para detê-la e ser capaz de copular, fertilizando-a no processo.

O período de postura ocorre durante a primeira metade do verão, e a eclosão ocorre no outono. Quando pronta, a fêmea procura ou cava uma toca com cerca de 23 centímetros de profundidade, que ela usará como ninho para os filhotes durante a incubação. Nesse local serão depositados entre 5 e 20 ovos, que levarão quase 3 meses para eclodir (dependendo da temperatura).

O sardão não apresenta cuidados parentais. Então, ao finalizar a postura, a mãe esquece os ovos. Ao nascer, cada filhote deverá se defender sozinho, fazendo com que poucos espécimes ultrapssem 5 ou 6 anos de idade em seu habitat natural.

Estado de conservação

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, o sardão é uma espécie quase ameaçada. Os principais problemas que enfrenta são a destruição do seu habitat, o envenenamento por pesticidas e o aumento de predadores. Esses pontos têm causado uma redução na sua população, fazendo com que ela se encontre em uma situação desfavorável.

Répteis termorregulados.

Não há uma análise aprofundada de sua situação e, portanto, se desconhece as razões por trás do declínio de sua população. Embora tenham sido criadas ações para sua proteção, é muito provável que não ajudem muito até que entendamos perfeitamente os desafios que essa espécie deve superar. É necessário conhecer melhor essa espécie para ajudá-la da melhor maneira.

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